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  <title>As Coisas Essenciais</title>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/</link>
  <description>As Coisas Essenciais - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Fri, 18 Aug 2017 12:05:12 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Fri, 18 Aug 2017 12:01:00 GMT</pubDate>
  <title>Porque é que estas Autárquicas são vitais para as populações?</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/porque-e-que-estas-autarquicas-sao-101566</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/krH2vVBxJgU?feature=oembed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;O pior que pode acontecer às populações já aconteceu: sem protecção nem segurança, abandonadas e esquecidas, assim como o território que ocupam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;E não é apenas a segurança, um direito básico que deveria ser garantido pelo Estado, é o próprio governo não lhes dizer a verdade. Isto ficou claro, claríssimo, na 4ª feira à noite. Rewind: programa &quot;Negócios da Semana&quot; da Sic Notícias. Tema: &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=lmgxvjVhIHQ&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;A Economia do Fogo&lt;/a&gt;. Interrupçao para ouvir a ministra da administração interna que se tinha dirigido àquela hora à Protecção Civil, insistindo atabalhoadamente na versão &quot;negligência&quot; para encobrir a realidade &quot;crime organizado&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;A realidade está à vista de todos e o governo (versão oficial) insiste em escondê-la de todos nós, os cidadãos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Voltemos ao programa e ao tema &quot;A Economia do Fogo&quot;. Existe toda uma economia que se alimenta da desgraça das populações: negócios à volta do preço da madeira ardida (paletes, contraplacados, etc.); da aquisição de equipamentos de combate aos incêndios e de pagamento de serviços. Para já, foi o que registei. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Formas de prevenção: neutralizar estes interesses económicos, fixando o preço da madeira ardida; nacionalizando os meios de combate aos incêndios com aquisição pelo Estado dos equipamentos; envolvendo forças militares especiais; preparando equipas de vigilância.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Onde é que entram as câmaras municipais, o poder local, na prevenção de incêndios e na protecção das populações?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Um presidente de câmara que conheça bem a sua população e território, que esteja próximo e receptivo às sugestões dos munícipes e de especialistas, e que coordene com outras câmaras, pode ter um papel fundamental. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Pode optimizar os recursos da região, e a floresta é um recurso valiosíssimo, não apenas pela madeira, mas muito para além dessa indústria. Uma floresta bem gerida pode ser um recurso ambiental e turístico, uma floresta que se organiza de forma sustentável, numa ocupação do território bem planeada, com espécies seleccionadas e mais adequadas a cada configuração, e espaços amplos de interrupção natural com espécies menos inflamáveis ou outras soluções criativas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Para decidir sobre um território a este nível, em que se afectam&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;muitos pequenos proprietários, terá de se ouvir as pessoas, saber negociar, e depois preparar os meios financeiros (programas europeus, nacionais, locais, etc.) para negociar cada contrato. Uma sugestão possível é o aluguer do espaço onde se intervém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Já se começa a perceber a importância vital das câmaras municipais, sobretudo para os concelhos do interior esquecido e abandonado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;Um presidente de câmara com visão das potencialidades da região pode dinamizar a economia, mobilizar meios, atrair novos negócios, e promover uma ocupação do território.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/autarquicas-2017-o-perfil-do-novo-101094&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Já referi&lt;/a&gt; o perfil ideal de um presidente de câmara. Cada um deve escolher cuidadosamente e pensando nestes factores que são vitais para a sua região: segurança, justiça, economia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;As dimensões valorizadas &quot;jovem&quot; e &quot;independente&quot; surgem relacionadas com &quot;preparação técnica&quot; e &quot;cultura de colaboração&quot;. Claro está que podemos encontrar preparação técnica e cultura da colaboração em candidatos partidários.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;A dimensão &quot;ser residente na região&quot;, conhecer bem o território e a sua população, não é negociável.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;Também não negociável a preferência de &quot;candidatos ao primeiro e/ou segundo mandato, e excepcionalmente ao terceiro&quot;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;Sugere-se evitar &quot;candidatos que revelem um discurso agressivo e competitivo&quot;, uma cultura partidária corporativa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;Assim como &quot;candidatos que exerçam a função de deputado&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt;E, como é desnecessário referir, &quot;candidatos com irregularidades financeiras no percurso&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18.6667px; line-height: 24.2667px;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>crime organizado</category>
  <category>autárquicas 2017</category>
  <category>política</category>
  <category>governo</category>
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  <pubDate>Thu, 15 Oct 2015 18:24:00 GMT</pubDate>
  <title>A democracia e a cultura da negociação</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/a-democracia-e-a-cultura-da-negociacao-82004</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;A democracia implica sempre a cultura da negociação. Mesmo no caso de um partido político ou de uma coligação obter uma maioria no parlamento. Por cá só vemos essa cultura em maiorias relativas, isto é, quando a negociação é vital para o governo sobreviver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;O que é que aconteceu recentemente? A dupla PSD/CDS, com uma maioria relativa, proclama que ganhou as eleições, que espera ser governo, que nunca se viu um líder de um partido menos votado andar a negociar para formar governo, que esse partido não apresentou propostas para negociar, etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;em&gt;Rewind:&lt;/em&gt;  o líder do PSD, que pensa que já é PM, foi responsabilizado pelo Presidente de iniciar contactos de forma a formar um governo com uma maioria estável no parlamento. Em vez de tomar a iniciativa de iniciar as negociações com o PS, assinou um &quot;acordo de governo&quot; com o seu parceiro de coligação, o CDS. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Entretanto, o líder do PS, sabendo que o resultado das eleições o tinha colocado como fiel da balança, pôs-se a trabalhar: iniciou os contactos com os partidos à sua esquerda (que já o tinham desafiado durante a campanha eleitoral e logo após o resultado das eleições), e à sua direita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Apesar dos apelos vários (incluindo a Igreja) e de pressões diárias (incluindo as internas ao PS), as negociações continuam. Pela primeira vez vemos os políticos envolvidos e interessados num acordo, a efectuar um trabalho sobre medidas concretas, em vez do palavreado e da politiquice. E isso é uma lufada de ar fresco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Quem é que anda nervoso? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quem pensava que estas eleições eram uma corrida presidencial. E quem pensava que o PS estava mais próximo do PSD (o sonho do bloco central) do que da esquerda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 12pt;&quot;&gt;A nova distribuição dos deputados na AR veio alterar a vida mansa da dupla PSD/CDS que governou na opacidade, sem dar a informação que lhe era pedida (e mantém o tique). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quanto ao bloco central, pois bem, é melhor fazer &lt;em&gt;rewind&lt;/em&gt; de novo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;No governo de maioria absoluta do PS (2005-2009) notou-se, de facto, uma inclinação para a direita (outros &lt;em&gt;bons alunos de Bruxelas&lt;/em&gt;). A sua única atenuante foi a aposta na ciência e na tecnol0gia, era, digamos, &lt;em&gt;prá frentex. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Mas a dupla PSD/CDS não se inclinou apenas para a direita, tornou-se &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76197.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;a cara chapada da direita neoliberal&lt;/a&gt; (tipo &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/73958.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Margaret Thatcher&lt;/a&gt;). Não se limitou a negligenciar os pobres, os remediados, os reformados, os desempregados, isto é, os mais frágeis e os que vivem so seu trabalho. Foi mais longe: massacrou-os e humilhou-os, disse-lhes para não serem &lt;em&gt;piegas&lt;/em&gt; e contou-lhes uma parábola medicinal. E a parábola rezava assim: &lt;em&gt;o país está doente, a austeridade é o remédio. &lt;/em&gt;E continua:&lt;em&gt; os senhores que nos vêm visitar são os nossos benfeitores &lt;/em&gt;(solidariedade europeia)&lt;em&gt;, vamos ter de seguir as suas exigências para acalmar os mercados, que estão muito nervosos, ganhar a sua confiança, para podermos voltar a pedir-lhes dinheiro emprestado&lt;/em&gt;. E entretanto os pobres, os remediados, os reformados, os desempregados, os mais frágeis e os que vivem do seu trabalho, assistiram, incrédulos, à grande evasão fiscal, à protecção dos grandes grupos económicos, à falência de um grande banco, às vendas sucessivas dos nossos recursos, e, finalmente, repararam que o país estava completamente diferente, socialmente desigual, com muita pobreza, e com menos jovens, pois tiveram de emigrar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 12pt;&quot;&gt;A dupla PSD/CDS não sabe negociar, não está no seu ADN, na sua cultura de base. A sua é a cultura do poder: ganha-perde, uns ganham e os outros perdem, uns são ganhadores outros perdedores. A sua postura é a da arrogância, não é a do respeito. E a sua posição não e a da aproximação, é a de encostar às cordas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 12pt;&quot;&gt;A dupla PSD/CDS tem ainda muito que aprender sobre a cultura da negociação. A negociação implica:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- maturidade do(s) negociador(es);&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- respeito mútuo entre negociadores;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- uma posição de ganha-ganha e não de ganha-perde;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- um caminho com várias etapas de aproximação;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- calma, paciência, discrição, enquanto as negociações se desenrolam;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- ter sempre presente que o objectivo de um acordo é o bem comum da comunidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FD3JmqDsnfbw%3Ffeature%3Doembed&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DD3JmqDsnfbw&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FD3JmqDsnfbw%2Fhqdefault.jpg&amp;key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; scrolling=&quot;no&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 16 Jun 2013 20:45:34 GMT</pubDate>
  <title>Mecanismos da Democracia ao dispor dos cidadãos entregues à prepotência e à arbitrariedade do governo</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/77638.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;São muito poucos os mecanismos democráticos ao dispor dos cidadãos entregues à prepotência e arbitrariedade do governo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;-&lt;strong&gt; as manifestações&lt;/strong&gt; organizadas (as de um grupo específico e/ou as mobilizadas pelos sindicatos) e as manifestações inorgânicas (os grupos mais diversos, em idade, profissão, situação, famílias, etc., isto é, quando a sociedade civil sai à rua). As primeiras são as que mais irritam os políticos, as segundas são as que mais preocupam os políticos (a paz e a coesão social, o impacto nas eleições, etc.). O exemplo de uma manifestação com impacto: a de 15 de Setembro do ano passado;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;- &lt;strong&gt;as Petições&lt;/strong&gt; cujo resultado nacional ainda não consegui avaliar. Penso que depende do número de assinaturas e/ou da influênca das assinaturas e eu acrescentaria a internacionalização da dita (parece que o governo é muito sensível à imagem que o estrangeiro faz de nós). As Petições não têm sido muito utilizadas no país, embora se verifique uma tendência crescente no seu recurso a nível da internet com algum impacto global;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;- &lt;strong&gt;as reuniões de concertação social:&lt;/strong&gt; aqui estruturadas pelos representantes dos diversos grupos sectoriais e governo. Mas o que vemos? O governo não respeita os acordos, muda as regras do jogo, desvirtua os compromissos, inventa medidas que diz temporárias e que depois quer tornar permanentes, recorre a manobras para cortar de outra forma o que não pode cortar de uma determinada forma, e tudo de surpresa, em conferências de imprensa. A rapidez com que muda de discurso e com que arranja a argumentação para mais um corte aqui e ali apanha todos de surpresa e já ninguém se entende, indo os representantes dos diversos grupos desabafar para a televisão; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;- &lt;strong&gt;as greves sectoriais e as greves gerais&lt;/strong&gt;, que são estruturadas pelos sindicatos de grupos específicos (mesmo que a decisão possa surgir independemente da organização sindical). &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/tag/greve&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Já aqui defendi &lt;/a&gt;que a greve é um instrumento da cultura corporativa: só os grupos de activos podem utilizar esse mecanismo. Geralmente o impacto acaba por incomodar os conterrâneos mais vulneráveis, quantos deles nem sequer têm acesso a esse recurso (inactivos e reformados, por exemplo). Esta minha reserva aplica-se sobretudo a greves sectoriais e não tanto a greves gerais, que já revelam mais do que simples defesa de interesses de um grupo específico. Mas referir que essa minha análise se situou numa época em que a democracia, embora débil, ainda funcionava ou, pelo menos, parecia funcionar. Também nessa altura o trabalho e a sua dignidade não estava ameaçado, como hoje, e todos os dias. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Hoje o trabalho está na mira da destruição sistemática e maciça do governo-troika: este ano a média diária foi de 1.100 postos de trabalho&lt;/strong&gt;. A situação é desesperada da parte dos que se sentem na posição do próximo a ser movido para a estatística. Mas a principal razão desse desespero está &lt;strong&gt;na forma como essa ameaça foi sendo conduzida: de forma prepotente e arbitrária e nos sectores, isso sim, que mais prejudicam os cidadãos mais vulneráveis&lt;/strong&gt;. Prepotente: reparem no sistema de despedimento, é colocar uma pessoa numa lista a que chamam de requalificação. Arbitrária: qual reforma da administração pública qual quê. O FMI dá um nº e um prazo, o governo transmite a ordem aos serviços: até 31 de Julho apresentem a lista. &lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta forma de cortar sem critério compromete a qualidade e eficiência da prestação de serviços públicos que era precisamente o objectivo principal&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Neste contexto completamente anormal, porque não encaixa numa lógica, numa racionalidade, numa coordenação, na tal reforma administrativa, não há espaço para o normal funcionamento dos mecanismos anteriores. Ao não respeitar acordos, compromissos (a não ser com os credores e com os interesses protegidos, as excepções), ao não respeitar as regras do jogo, as leis do país (exemplos: Constituição, colégio arbitral, isto é, as decisões dos tribunais), verbalizando mesmo que vai mudar a lei, acaba por criar a maior instabilidade e falta de confiança nos políticos, no governo, no futuro do país. A insegurança, o medo, o desânimo, afecta já não apenas os visados mas os restantes cidadãos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Na actual situação a greve surge como o último recurso de quem foi colocado numa rampa de lançamento para a porta de saída de uma vida activa e na maior precariedade. E isto enquadra-se na destruição sistemática e maciça dos serviços públicos. É disso que se trata&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Mas também adquire uma dimensão nacional, de país pressionado e ameaçado, a perder dia a dia a sua autonomia relativa, os seus recursos humanos, os seus recursos naturais e estratégicos, e a economia que é a sua vitalidade, dignidade e a base da democracia&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Concluindo: o que fazer perante um governo que não age apenas como um intermediário da troika no país, acata todas as avaliações, exacerba algumas medidas, apresenta-as a frio e a seco quase em cima do prazo, de forma avulsa e mal fundamentada, isto é, revelando prepotência e arbitrariedade?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Quando as regras do jogo são completamente adulteradas e desrespeitadas, incluindo a lei básica da organização política e social do país, a Constituição, e as leis que a fazem respeitar nos diversos patamares, o que podem fazer os cidadãos para defender a sua pele e a dos que se seguem nessa rota do desastre económico que nos irá colocar na mesma situação da Grécia?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;A sociedade civil está a querer transmitir-lhes que há um limite, mas o governo ainda não percebeu nem quer perceber. Esta incapacidade para perceber os sinais de alarme é que vai prejudicar o país.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Importante acrescentar:&lt;/strong&gt; e não é que me esqueci do mecanismo democrático básico que garante a representatividade e legitimidade do governo e da distribuição de deputados na Assembleia da República (eleições legislativas), no Parlamento Europeu (europeias) e no poder local (autárquicas), assim como o que garante o equilíbrio institucional e o respeito pela Constituição (presidenciais)? Isso mesmo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;-&lt;strong&gt; o voto:&lt;/strong&gt; as eleições legislativas permitem a constituição de um governo e a distribuição dos deputados na Assembleia da República. Este governo e o Presidente estão tranquilos relativamente à representatividade e legitimidade do governo, baseando o seu conforto nos resultados de umas eleições legislativas de 2011, e na &lt;em&gt;coesão social&lt;/em&gt; (esta razão foi dada recentemente pelo Presidente); as autárquicas permitem a gestão do poder local; as europeias, a nossa voz no Parlamento Europeu; finalmente, as Presidenciais, o tal equilíbrio de poderes institucionais e a garantia do respeito pela Constituição.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Este mecanismo do voto, sobretudo nas eleições legislativas e nas autárquicas, é aquele que deixa os políticos mais nervosos e percebe-se porquê&lt;/strong&gt;. É o único em que os cidadãos decidem e intervêm, de facto, numa espécie de procuração dada aos partidos para gerirem os recursos colectivos por 4 anos, tanto a nível de governo e Assembleia da República, como do poder local. Por isso, este poderia ser um mecanismo com alguma eficácia se o seu intervalo não fosse tão longo. Eu explico: 2 anos deste governo já nos colocaram na rota da Grécia: recessão, emigração em massa mesmo de qualificados, desemprego, redução das condições de acesso e da qualidade de prestação de serviços públicos, pobreza, falta de confiança generalizada, ausência de perspectivas de futuro, etc. Portanto, em 2 anos este governo já provocou mais danos no país do que seria expectável mesmo pelo mais pessimista de nós. O limite já foi atingido, só eles não perceberam, Presidente incluído. Quanto às eleições autárquicas, e ainda a 3 meses da data de conveniência para o governo, 29 de Setembro, já se notam movimentações que sugerem uma campanha eleitoral antecipada. O governo, sem um debate público sério e alargado à sociedade civil, resolveu manter o nº de câmaras municipais e fechar diversas juntas de freguesia, optando aqui claramente por manter o seu poder local dos interesses instalados em detrimento da proximidade e do papel estruturante das juntas de freguesia. Pois bem, quanto a mim não participarei nessa estrutura e organização do poder local, que considero abusiva e desequilibrada. Não me deslocarei sequer à mesa de voto.   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Quanto às europeias: embora tenham um peso mais simbólico, ainda assim podem ser estratégicas, dependendo da voz que queremos ter no Parlamento Europeu. Embora à distância de quase 1 ano, já fiz a minha escolha há muito e ainda não me arrependi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;Finalmente, as Presidenciais: fundamentais para o equilíbrio de poderes, no controle de desvios à Democracia e no respeito pela Constituição, condição de estabilidade também, de avisos à gestão, representação mais elevada dos valores colectivos e das prioridades de um país. O que vemos actualmente é que a estabilidade não está garantida, a confiança não está garantida, a tal &lt;em&gt;coesão social&lt;/em&gt; de que fala o Presidente perdeu-se, assim como a paciência dos cidadãos perante uma gestão prepotente e arbitrária, desigual e desequilibrada, com cortes sempre nos mesmos e excepções protegidas e operações pouco claras como a privatização de recursos estratégicos com irregularidades várias. Quem representa afinal o governo? Não são os cidadãos em geral, pois já lhes destruiu o trabalho, a qualidade de vida, a estabilidade das famílias, a protecção em condições de vulnerabilidade, o acesso e a qualidade de serviços públicos, a confiança nos políticos em geral, o ânimo e a saúde mental, uma perspectiva de futuro. E nesse mundo paralelo das excepções (banca, grandes grupos económicos e financeiros, as transacções e acordos de gabinetes, autarquias, governos regionais, institutos, fundações, profissionais liberais e a fiscalidade criativa, mas há muitas mais), tudo a decorrer normalmente. Para eles não há cortes, nem limites, nem ameaças de exclusão. Quem representa afinal o governo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Conclusão sobre mecanismos democráticos eficazes:&lt;/strong&gt; espero ter referido todos os mecanismos de defesa dos cidadãos perante a prepotência e arbitrariedade do governo. Para já, &lt;strong&gt;o voto&lt;/strong&gt;, que poderia ser o mais eficaz, vê o seu impacto diluído por 2 factores: a) o intervalo de 4 anos hoje é suficiente para destruir um país, a sua economia, o seu ânimo; b) pelo que temos observado da sua actuação, vemos com alguma dificuldade a capacidade de regeneração cultural dos partidos que trouxeram o país até aqui e que são os mesmos que se apresentam a votos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;A seguir, há outro impacto possível: &lt;strong&gt;a imagem do país lá fora é um nervo sensível para este governo&lt;/strong&gt;. Está aí uma janela de oportunidade, e a ideia dos cidadãos de Istambul das manifestações silenciosas, como estátuas, em locais simbólicos do colectivo, é verdadeiramente criativa. Isto filmado e exportado teria um impacto significativo e interessante na imagem externa do país. Com a ajuda de cartazes em inglês seria perfeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 14pt;&quot;&gt;As &lt;strong&gt;Petições&lt;/strong&gt; só se forem internacionalizadas, mais ou menos como a Petição da televisão grega. Foi muito concorrida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;E quando as &lt;strong&gt;reuniões de concertação social&lt;/strong&gt; falharem, digamos quando as negociações se revelarem infrutíferas, então, c&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;omo último recurso, a &lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;greve&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;, isto é, quando não se vislumbrar outro mecanismo e/ou quando a situação envolver mais do que o grupo, mas o colectivo e o bem comum.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 18pt;&quot;&gt;Actualização deste post - 2017.06.11:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Para os Visitantes que escolheram este post como o mais visitado de sempre d&apos; As Coisas Essenciais: a má notícia é que o seu conteúdo está claramente desactualizado e a boa notícia é que o seu conteúdo está felizmente desactualizado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;A sua actualização, e lembro que já passaram 4 anos, encontra-se n&apos; A Vida na Terra, nos posts sobre &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/pol%C3%ADtica&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;política&lt;/a&gt; e nas palavras-chave: &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/democracia&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;democracia&lt;/a&gt;; &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/equil%C3%ADbrio&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;equilíbrio&lt;/a&gt;; &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/economia&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;economia&lt;/a&gt;; &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/desigualdades%20sociais&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;desigualdades sociais&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Será interessante acompanhar a inovação cultural na política em &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/fran%C3%A7a&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;França&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Como exemplo de um sistema político obsoleto, inoperante e ineficaz, o caso da &lt;a href=&quot;http://a-vida-na-terra.blogspot.pt/search/label/am%C3%A9rica&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;América&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Como os Visitantes vêm essencialmente do &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/quando-um-governo-nao-tem-legitimidade-148041&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Brasil&lt;/a&gt; e de &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/a-solucao-governativa-portuguesa-e-156245&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Portugal&lt;/a&gt;, ficam os links :)   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>concertação social</category>
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  <pubDate>Tue, 21 May 2013 14:25:25 GMT</pubDate>
  <title>A responsabilidade de um &quot;novo rumo&quot; tem de se iniciar com um compromisso com os cidadãos e sem equívocos políticos e culturais</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76912.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A possibilidade de se abrir uma janela e de se refrescar o ar deste país entregue a grupos com agendas já identificadas e percebidas e que não servem os interesses do país e dos seus cidadãos, seria um bom sinal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Mas seja qual for a janela e o novo ar, é bom esclarecer desde o princípio que a equipa que for escolhida (e só pode ser pelos cidadãos) estabeleça um compromisso claro com os cidadãos&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Já o disse aqui, nunca acreditei na &lt;em&gt;revolução dos cravos&lt;/em&gt;, mas &lt;strong&gt;absorvi desde criança, e de forma profunda, uma cultura democrática&lt;/strong&gt;. Esta é a base. Não é direita-esquerda ou falsas dicotomias. É o respeito por si próprio e pelos outros, a empatia como a base da interacção. Também tem a ver com a cultura cristã profundamente enraízada na minha família, e não apenas na palavra, mas na sua acção diária. Mas tem muito mais a ver com a minha percepção desde o início que &lt;strong&gt;o convívio social saudável só se pode conceber numa base de igualdade na dignidade e na liberdade, na tolerância, no respeito mútuo, no valor intrínseco e não negociável de cada vida humana&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;A prioridade é a vida, mas a vida com dignidade. É isso que nos distingue da barbárie&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Por todos os livros que li na primavera marcelista e pelo clima de rebeldia que se sentia no ar e que pensava nos poderia levar, de forma gradual, a uma democracia moderna e civilizada (nos valores que referi acima), nunca acreditei na &lt;em&gt;revolução dos cravos&lt;/em&gt;. A minha primavera era outra, só acredito em soluções inteligentes, cultas, graduais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Em adolescente li Marx e Engels (resumidos, porque não aprecio calhamaços), e outros livros biográficos sobre visionários, loucos e psicopatas como Estaline, Mao Tsetung, Hitler e Himmler, portanto para mim eram todos do mesmo saco cultural e mental: &lt;strong&gt;os ditadores, venham de onde vierem, têm a mesma base amoral da lógica do poder e da morte, da destruição bárbara, são incultos e doentes mentais&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Agora imaginem a minha surpresa quando no liceu, pelos meus 16, 17 anos, deparei com o ambiente deprimente em que se defendiam personagens como Lenine, Estaline ou Mao Tsetung... Por ali planei nesse ano de 75 sentindo-me uma inadaptada, escapando à gritaria das RGAs e um dia até a uma invasão da Copcon a rodear o liceu de G3 na mão. Felizmente 76 trouxe o sossego dos Cívicos e voltei às origens por um ano. Quando regressei para a faculdade já os ânimos estavam mais calmos e só me esperava o desgosto de Camarate, em 80, o fim da esperança democrática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A partir daí, a possibilidade de uma cultura verdadeiramente democrática, de uma democracia de qualidade (acesso universal a uma educação de qualidade; acesso a uma informação de qualidade e comunicação fiável e transparente; partilha de responsabilidade e participação cívica; justiça de qualidade; eficiência dos serviços; liberdade de concorrência; todos os equilíbrios que mantêm a democracia), foram sendo substituídos por uma cultura de clubismo partidário, de má utilização dos recursos públicos, de novo-riquismo cultural, do sucesso fácil, dos grupos favorecidos, de interesses ocultos, e de tudo o que já se diagnosticou até à exaustão e que permanece intocável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Nunca votei PS. Votei AD de Sá Carneiro e Freitas do Amaral. Depois de Camarate, o PSD morreu para mim. O CDS foi o recurso para não votar em branco. Só voltei a estar perto de votar PSD com a &lt;em&gt;política de verdade&lt;/em&gt; de Manuela Ferreira Leite, e depois talvez votasse no &lt;em&gt;libertar o futuro&lt;/em&gt; de Paulo Rangel mas ganhou o Passos, e apostei n&apos; &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/60691.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;este é o momento&lt;/a&gt; do CDS/PP.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mal sabia eu, como já aqui disse, que &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76197.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;este é o momento seria pior do que um banho de água fria&lt;/a&gt;, foi cair num buraco de água gelada num glaciar: como podia ter sido tão ingénua? Só porque falavam na agricultura e na supervisão bancária? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mas não se atiraram agressivamente aos mais fracos da população, aos RSI? Com um discurso moralista à Estado Novo? De uma mesquinhez tacanha esquecendo que os feirantes e os pequenos negociantes de rua praticam uma economia paralela de subsistência perseguida pela ASAE dos moderanaços socialistas da altura, que os arrastaram para a subsidiodependência? A economia paralela de subsistência não é muito mais digna do que viver de subsídios estatais? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A verdadeira fuga ao fisco, a dos grandes grupos profissionais e empresariais está aí? Não está! Mas dessa não nos falaram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Os sinais de um elitismo cultural, de desejo de pertença a uma classe de privilegiados, de um moralismo saudosista e tacanho, já estavam todos lá e eu não os consegui identificar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Foi apenas quando assisti a esta cooperação de dois anos em que mantiveram um silêncio cúmplice e oportuno com um núcleo de gestão política (PM-ministro das finanças) que iniciou uma guerra de destruição maciça à economia, ao trabalho e à dignidade de vida dos cidadãos, que finalmente percebi e identifiquei a sua verdadeira cultura de base. Só alguém com uma cultura de base muito pouco democrática, para não dizer mesmo anti-democrática, poderia ter pactuado com este plano de desvalorização do trabalho e perseguição aos mais vulneráveis, mantendo intocáveis os grandes &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;interesses e as excepções aos cortes. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Fiquei sem partido em que votar, portanto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Qualquer cumplicidade estratégica com o núcleo PM-ministro das finanças será recordada &lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;na história do país.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Considerar-se agora que o CDS, depois de dois anos de cumplicidade com esta tragédia económica e social, pode agora surgir como um possível partido de coligação com o PS, por exemplo, é um atentado à nossa consciência cívica&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Vão primeiro aprender o que é a democracia de qualidade, e já agora como TPC&lt;/strong&gt;: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;a) tentar viver com o RSI ou o SMN; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;b) sobreviver 6 meses na China rural, na Índia urbana, no Bangladesh fabril, para ver que modelo de economia competitiva nos estavam a preparar;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;c) passar uns dias sem pequeno-almoço e ir para a escola ou ir à farmácia e ter de escolher entre que medicamentos levar para casa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Quanto ao actual &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/75389.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&quot;novo rumo&quot;&lt;/a&gt; do PS, terá de fazer um compromisso com os cidadãos e não configurar apenas uma forma airosa do sistema (o regime, as actuais elites no poder) se reorganizar novamente para tudo ficar na mesma paz podre&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como já aqui disse, terão de convencer os potenciais eleitores que podem confiar neles, que não serão traídos de novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ainda estão por &lt;strong&gt;esclarecer as responsabilidades da gestão do anterior governo PS na situação financeira-limite a que se chegou há 2 anos&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ainda está por perceber &lt;strong&gt;o papel dos mercados financeiros, do BCE (Constâncio foi promovido após não ter supervisionado nada), da banca (BPN), dos grandes grupos económicos, da CE, do PR, do PSD (Passos já andava a preparar a sua carreira no poder durante a liderança de Manuela Ferreira Leite),&lt;/strong&gt; etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;E finalmente ainda está por provar até que ponto a cultura de base deste &quot;novo rumo&quot; é um caminho de reabilitação para a tal democracia de qualidade&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Também vão precisar de apoios supra-nacionais, europeus e outros&lt;/strong&gt;. Mas deverão manter os cidadãos devidamente informados do que está em causa, de forma frontal e com coragem, sem evasivas nem teatros. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Quanto a possíveis coligações:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;É melhor um governo com uma agenda limpa, clara e transparente, que vai gerindo o país com acordos parlamentares e negociações com representantes dos trabalhadores, empresários, industriais, etc. e com associações e movimentos da sociedade civil, do que se deixar enredar em jogos políticos que só debilitam a confiança dos cidadãos nos políticos&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Respeitar a inteligência de quem se representa é fundamental.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Para finalizar este post com uma amostra da inteligência distante, indiferente e metálica do núcleo que nos governou estes dois anos, de forma a melhor se perceber como se pode destruir com powerpoints e excell, trago aqui uma cena de um filme que &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2012/10/04/a-lista-mortifera-da-destruicao-definitiva-embrulhada-no-celofane-extraordinaria-e-temporaria/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;já tinha colocado na Farmácia Central&lt;/a&gt;. Através desta cena vão perceber melhor como funciona a cabeça do protótipo tecnocrata, seja o ministro das finanças seja um elemento da troika, do FMI, da CE. A distância emocional e monocórdica são próprias de uma inteligência artificial só comparável a um robô:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/YX4A-iSoDiU&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot; frameborder=&quot;0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Nota de esclarecimento em 2 de Junho de 2014:&lt;/strong&gt; Este ano vi tanta coisa que era inevitável uma mudança na minha perspectiva do grande plano. O mesmo é dizer que não fica incólume a tanto atropelo à justiça, à equidade, ao equilíbrio de poderes, a uma cultura democrática, ao simples e saudável bom senso. O impacto de tudo a que assisti com este governo-troika foi tal que posso mesmo dizer que fiquei vacinada de forma vitalícia contra o centro direita. Ou se tem uma cultura democrática ou não se tem, ou se têm valores cristãos ou não se têm. O centro direita ou direita ao centro é um tremendo equívoco cultural e político.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;Foi também a observar as personagens actualmente no poder que fiquei esclarecida relativamente à minha visão idílica da primavera marcelista: sim, havia católicos progressistas e intelectuais com uma visão mais aberta do mundo, mas o sistema estava blindado como este está actualmente e não se iria abrir a uma democracia como cheguei a idealizar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;Dá-me a sensação que terei ainda de introduzir muitas notas de esclarecimento em diversos posts sobre assuntos-chave. Não quero contribuir para mais equívocos culturais, mesmo que se trate apenas de uma análise individual. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 12 May 2013 19:10:09 GMT</pubDate>
  <title>Resultados da aplicação da austeridade na economia, no trabalho, na emigração, nos serviços sociais, na democracia: o caso da Hungria</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76366.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;De vez em quando assisto ao programa &lt;a href=&quot;http://sicnoticias.sapo.pt/programas/sociedadedasnacoes/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Sociedade das Nações da Sic Notícias&lt;/a&gt;, e desta vez acompanhei com interesse a &lt;a href=&quot;http://sicnoticias.sapo.pt/programas/sociedadedasnacoes/2013/05/12/sociedade-das-nacoes-12-05-2013---as-reformas-da-democracia-hungara&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;entrevista a Viktor Orbán&lt;/a&gt;, 1º ministro da Hungria. Primeiro fica a imagem de alguém que gosta de liderar e controlar, alguém que discursa com entusiasmo, desvalorizando a oposição interna, sobre a forma como se adaptaram às exigências do FMI, uma nova Constituição (aqui senti um arrepio), um imposto único de 16 % igual para todos (?) para não penalizar o trabalho, preferindo subir o IVA (!), taxaram a banca (ver para crer), as multinacionais (ver para crer), reduziram os deputados para metade, os políticos no activo para metade, etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Ao ouvi-lo ficou-me a ideia de uma sacudidela demasiado drástica para animar a economia. Alguma coisa me soou a marketing político e não a liderança democrática, embora o entrevistado se tenha mantido num discurso racional, sensato, moderado. No entanto, há frases que nos ficam a ressoar de forma incómoda: &lt;em&gt;a Europa tem tido lideranças institucionais que não têm capacidade de resposta, agora precisa de lideranças pessoais, de líderes; as fronteiras não devem ser o mais importante, já perdemos parte do território depois da 1ª Grande Guerra e mais território depois da 2ª &lt;/em&gt;&lt;em&gt;guerra mundial; os nossos valores baseiam-se no cristianismo&lt;/em&gt; (é muito vago).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Não inteiramente convencida com tanta competência auto-proclamada, fui procurar outras fontes de informação. Passei pela BBC Hard Talk mas só encontrei &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=vRZAw4OIHjY&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;uma entrevista a um especialista de marketing político do governo&lt;/a&gt;, o ministro da Comunicação(!) que se defendeu muito bem. Em todo o caso, reparem como o ministro acaba por utilizar palavras como &lt;em&gt;oportunidade&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;reformas estruturais&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;medidas&lt;/em&gt;, com as quais já estamos demasiado familiarizados. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Resolvi procurar melhor no youtube informação concreta sobre a vida diária das pessoas:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/1NNMz3eXSJM&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot; frameborder=&quot;0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como se pode verificar, a estabilidade que uma maioria promete, pode levar a excessos na aplicação de programas como este da austeridade. Parece ter sido o que aconteceu aqui, a começar por construir uma nova Constituição (apenas em 9 meses e sem a participação de todos). Sempre que os governos nos falarem na Constituição, já sabemos o que se segue. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Por cá esse discurso da necessidade de modernizar a Constituição e adaptá-la a uma nova conjuntura tem sido contrariada. Reparem nos riscos destes atropelos à Constituição de um estado. É por onde tudo começa no caminho da anulação da democracia e da utilização dos mecanismos democráticos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Reparem como o estado social, os serviços prestados aos cidadãos, foram quase liquidados. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;São as pessoas que sofrem. A economia não está a crescer, mesmo com o imposto único, aumentando a divergência entre pobres e ricos (ou melhor dito, remediados, que preferem poupar a consumir).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;E reparem como a banca não perde, antes ganha com estes planos de austeridade, pelo menos por enquanto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Quanto aos media, por cá ainda não temos esse problema, cá as pessoas são inundadas com ficção informativa e opiniões de comentadores e futebol e telenovelas em doses apropriadas em todos os canais de televisão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Porque me interessei tanto por analisar a situação da Hungria? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Primeiro, pela semelhança da sua gestão política mais recente com a nossa: governos socialistas levaram 2/3 dos cidadãos do país a votar numa proposta de centro-direita que os ajudasse a sair da falência. O programa seguido por este novo governo que, tal como o nosso, quis ir para além do FMI, acabou por se revelar desastroso para o seu povo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Segundo, porque admiro muito o povo húngaro, a sua coragem e amor pela liberdade. Já aqui lembrei &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;a resistência à invasão soviética no documentário &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/29917.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Fúria da Liberdade&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Um povo assim, que tem a liberdade no seu ADN, é um povo que não se deixará intimidar ou controlar, apesar das condições difíceis que lhe estejam a impor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Já iniciei esta viagem virtual pelos países europeus em apuros, com a Grécia, na &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2012/12/07/grecia-o-fim-do-sonho-europeu/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Farmácia Central&lt;/a&gt; e nas &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/122064.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Vozes Dissonantes&lt;/a&gt;. A seguir, talvez vá até ao Chipre, à Eslovénia, à Irlanda e depois aqui ao lado, à Espanha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 09 May 2013 09:28:46 GMT</pubDate>
  <title>A percepção da realidade de uma consciência abrangente</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76197.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Uma capacidade humana &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/72293.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;é a de aprender&lt;/a&gt;, abrir os horizontes, mudar a sua percepção da realidade, isto se estiver receptiva e curiosa em relação a tudo o que a rodeia, às pessoas concretas, às comunidades, à forma como se organizam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Sempre me interessei pela análise da cultura de base de indivíduos e grupos, de empresas, de partidos políticos, de governos, das lideranças de grandes organizações (como a UE, por exemplo).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A minha análise está mais virada para a influência da cultura de base na intervenção política ou na intervenção financeira, pois tem um peso determinante na vida das pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mantenho actuais algumas das minhas análises: a guerra do Iraque, por exemplo, que considerei uma invasão sem qualquer justificação possível. Participei em 2003 na manifestação em Lisboa. Antes dessa, só tinha participado na vigília por Timor. Depois dessa, só numa mini-manifestação (por falta de comparência de muitos) pela &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/40584.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;liberdade de expressão&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Análise da cultura de base do anterior governo PS:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Embora hoje já tenha mais elementos de comparação entre a gestão do anterior governo com a do actual, ainda mantenho o essencial da análise da &lt;strong&gt;cultura de base do anterior governo&lt;/strong&gt;: &lt;strong&gt;cultura corporativa&lt;/strong&gt; (grandes grupos económicos e financeiros, a banca, os grandes negócios). O seu estilo era, no entanto,&lt;strong&gt; modernaço&lt;/strong&gt;: o &lt;strong&gt;deslumbramento pueril de um modernismo dispendioso&lt;/strong&gt;, a desorçamentação, as PPPs, as fundações, os institutos, os estudos disto e daquilo, o TGV e o novo aeroporto, a ausência de supervisão bancária com o resultado desastroso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Verificou-se a &lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;priorid&lt;/span&gt;ade da imagem sobre a realidade concreta&lt;/strong&gt;, a sociedade-espectáculo em powerpoint, o perfil do urbano moderno, rico e famoso como o exemplo de sucesso a seguir, a promoção de uma vida saudável e acéptica, as causas fracturantes, &lt;strong&gt;a aceleração do abandono do interior do país&lt;/strong&gt; só lá colocando as hélices de uma &lt;strong&gt;energia verde&lt;/strong&gt; para contribuinte pagar, o &lt;strong&gt;desprezo pela agricultura e pescas&lt;/strong&gt;, pela terra como fonte de autonomia alimentar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Verificou-se o &lt;strong&gt;aumento da diferença entre ricos e pobres&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;aumento do desemprego e da emigração&lt;/strong&gt;, números que nunca foram devidamente contabilizados. Foi também o início da desintegração social, a perseguição da &lt;strong&gt;ASAE&lt;/strong&gt; aos feirantes e pequenos negócios de rua, preferindo ver essas pessoas a viver na dependência de subsídios, o polémico &lt;strong&gt;RSI&lt;/strong&gt;. Quanto à grande evasão fiscal, pouco ou nada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Em todo o caso, o estado social, ou seja, &lt;strong&gt;os serviços públicos prestados aos cidadãos foram preservados dentro de alguma qualidade e segurança&lt;/strong&gt;. Digamos que havia um limite que nem o anterior governo, já com a corda ao pescoço, teve a lata de pisar: o limite das regras básicas de uma constituição democrática. Apesar dos tiques de um certo autoritatismo e a tendência para controlar a informação, &lt;strong&gt;procurava-se pelo menos a eficiência dos serviços públicos, não a sua destruição e alienação como vemos agora acontecer&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Se esse caminho também iria ser percorrido se o PEC 4 tivesse passado? Não sei. É certo que já se falava na desvalorização do trabalho, Manuel Pinho foi vender essa ideia à China, António Borges penso que já andava a fazer a sua acção de evangelização, mas teriam ido tão longe como este governo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Cultura de base do CDS:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Aqui confesso que &lt;strong&gt;a minha análise da cultura de base do CDS, que pensava democrata cristã, estava completamente errada&lt;/strong&gt;. Aqui não tenho atenuantes, pois os sinais estavam todos lá, &lt;strong&gt;a sua marca registada de cultura corporativa de estilo profundamente elitista&lt;/strong&gt;, de sentimento de pertença às classes privilegiadas, tal como no Estado Novo. Há ali um &lt;strong&gt;saudosismo desse respeitinho &lt;/strong&gt;quando falam de uma &lt;strong&gt;tradição caduca e ultrapassada&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Um dos sinais a que não dei o devido valor, mas já estava tudo lá, foi &lt;strong&gt;a sua perseguição ao RSI no período do anterior governo&lt;/strong&gt;, quando se deu&lt;span&gt; início à tal desintegração social através da perseguição da ASAE aos feirantes e pequenos negócios de rua de que falei lá atrás, que acabou por colocar essas pessoas a viver na dependência de subsídios. Foi nesse processo do RSI que eu vi a face mais &lt;strong&gt;mesquinha e moralista da cultura corporativa&lt;/strong&gt;: primeiro os modernaços do PS retiram-lhes a sua forma natural de vida, de uma economia paralela de subsistência, para os colocar na subsidiodependência e, com isso, retirar-lhes a dignidade e autonomia (vítima uma vez), para depois serem culpabilizados por políticos moralistas do CDS como não querendo trabalhar e preferindo viver à custa do contribuinte (dupla vítima). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;Podiam ter começado, pelo menos, por exigir com o mesmo entusiasmo a fiscalização da grande evasão fiscal, pois é essa que vale não sei quantos mil milhões. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Mas honra lhes seja feita, falaram na agricultura&lt;/strong&gt; (que agora esqueceram) e na &lt;strong&gt;ausência de supervisão bancária&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta minha súbita lucidez tem um sabor amargo: o meu equívoco levou-me &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/60691.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;a apostar num Momento&lt;/a&gt; e a contribuir, embora à minha pequena escala, para a emergência de uma cultura que não se fica por não ter assimilado e interiorizado as regras da democracia, mas por ser mesmo anti-democrática.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Afinal&lt;em&gt; Este é o Momento&lt;/em&gt; em que acreditei (valha-me Deus!), era o momento da compensação desejada, não no sentido de vingança propriamente dita, mas de uma certo ajuste de contas com a história. Ao lado de Durão Barroso e de Santana Lopes isso não foi visível porque havia Bagão Félix como mentor e símbolo moral da cultura verdadeiramente democrata-cristã. Mas &lt;strong&gt;agora não há Bagão Félix no governo e Passos Coelho está longe de ser um Durão Barroso e não tem a natureza empática e tolerante, próprias de uma cultura democrática, de Santana Lopes. Assim, os CDS, em roda-livre, revelaram a sua verdadeira natureza&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E ainda conseguiram ultrapassar um limite moral que nunca julguei possível: desprezar os mais fracos (reformados) colocando-os no joguete político para tentar salvar o seu peso eleitoral. Os reformados não precisam nem de paternalismo nem de caridadezinha, precisam de respeito, tal como qualquer cidadão. Mas isso eles não conseguem entender ou aceitar. Para isso, era preciso interiorizar a cultura democrática e estão muito longe de o conseguir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Cultura de base do PSD:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Também aqui me enganei:&lt;/strong&gt; embora não me tenha apanhado de surpresa na cultura corporativa de base, &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/72293.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;o PSD conseguiu ultrapassar todas as minhas expectativas&lt;/a&gt;. A sua cultura de base não é apenas corporativa semelhante à do anterior governo (grandes grupos económicos e financeiros, a banca, os grandes negócios). É que &lt;strong&gt;o anterior governo, apesar de &lt;em&gt;bom aluno de Bruxelas&lt;/em&gt;, queria pelo menos andar para a frente, para um futuro cibernético, de uma economia virtual, de energia verde, da internet, da investigação, da educação de sucesso para todos, das novas oportunidades, puxar pelo país, de um país práfrentex, do simplex (algumas destas iniciativas até tinham algum mérito, nem que fosse só nas suas boas intenções)&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Onde o PSD me surpreendeu é que, em vez de se virar para o futuro se tenha virado para o passado&lt;/strong&gt;, para um tempo semelhante ao do Estado Novo, e de não ser apenas &lt;em&gt;um bom aluno de Bruxelas&lt;/em&gt;, é&lt;strong&gt; um clone dos tecnocratas de Bruxelas&lt;/strong&gt;, um robô-tecnocrata de Bruxelas. Na verdade, &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/74301.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;a troika nem precisava de se dar ao trabalho de cá vir&lt;/a&gt;, devem ter de se vir mostrar nos corredores do poder só para assustar os portugueses e convencê-los que eles são a troika. &lt;strong&gt;A troika já cá estava antes da troika descer do avião&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Claro que também me conseguiu surpreender e apanhar de surpresa quando, &lt;strong&gt;em vez de cortar nos mais fortes, começou logo a cortar nos mais fracos e remediados&lt;/strong&gt;. Assim como o facto de &lt;strong&gt;reduzir a sua intervenção ao ministério das finanças e a cortes disto e daquilo&lt;/strong&gt;, parecia o &lt;em&gt;Eduardo Mãos de Tesoura&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;Não sabia que gerir um país era &lt;strong&gt;colar-se às exigências dos credores&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;ficar do lado dos credores&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;associar-se aos credores&lt;/strong&gt;, contra os seus conterrêneos, chegando ao cúmulo de se &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;identificarem culturalmente&lt;/strong&gt;&lt;span&gt; (nos preconceitos norte-sul da Europa) &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;e moralmente&lt;/strong&gt;&lt;span&gt; (culpando as pessoas da má gestão política e financeira) &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;com os nossos credores, para assustar e manter em suspense os seus conterrâneos&lt;/strong&gt;&lt;span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;O resultado é a &lt;strong&gt;liquidação dos serviços públicos&lt;/strong&gt; (talvez um sonho antigo, estilo Margaret Thatcher), &lt;strong&gt;depois de terem destruído a economia nacional (micro, pequenas e médias empresas)&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Gerir um país é isso? Cortar aqui e ali? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Pensava que &lt;strong&gt;gerir um país era dar o exemplo&lt;/strong&gt;, nisso até Salazar era melhor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Pensava que gerir um país, era &lt;strong&gt;contar a verdade às pessoas&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;a dimensão da dívida&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;a origem da dívida&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;a natureza da dívida&lt;/strong&gt;. E isto por montantes exactos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Depois, &lt;strong&gt;informar as pessoas sobre as exigências dos credores e explicar as suas razões&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A seguir, &lt;strong&gt;informar sobre o que iriam fazer para minimizar os danos na economia e na vida das pessoas e das famílias, como iriam tentar negociar na Europa melhores condições para o seu país e os seus conterrâneos.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Esta é a minha análise, ainda por verificar e validar, relativamente ao governo:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O que os cidadãos vêem como insucesso, este governo vê como sucesso: &lt;strong&gt;é o desemprego e a emigração que permitem a desvalorização do trabalho&lt;/strong&gt;, pois &lt;strong&gt;o investimento privado que querem atrair baseia-se em mão de obra barata e trabalho precário&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esse é o &lt;strong&gt;modelo de país que serve os grandes grupos económicos e financeiros que por cá passarão enquanto for rentável para depois irem sugar outros países e outros recursos&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Este é também o &lt;strong&gt;modelo de Europa que os tecnocratas desenharam, com diferenças norte-sul, países de 1ª e de 2ª. Para conseguirem o controle absoluto (onde cabe aqui a democracia e os cidadãos?) têm de conseguir o controle fiscal (!) e político (!!) dos países da &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;eurozona&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;E ainda falta a análise da cultura de base do PCP, do BE e dos Verdes:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta análise é a mais difícil, em parte porque ainda não fizeram parte de nenhuma equipa governativa, a não ser o &lt;strong&gt;PCP&lt;/strong&gt; no verão quente e com Vasco Gonçalves. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Já tinha lido alguns livros na Primavera marcelista para saber que a organização colectivista, aplicada a uma comunidade e a uma cultura, nega a própria natureza humana: a diversidade desejável, a criatividade, a rebeldia, a vitalidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Posso é já adiantar, mas está por testar, que a expressão eleitoral estável do &lt;strong&gt;PCP&lt;/strong&gt; se explica não apenas pela cultura corporativa do PSD, PS e CDS, mas também pela forma como gerem o poder, cada um ao seu estilo: tecnocrata autoritário europeísta do PSD; gestão pública danosa do PS; e o elitismo tradicional moralista do CDS.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Talvez também por estas razões o &lt;strong&gt;BE&lt;/strong&gt; chegou a ter uma expressão eleitoral significativa e actualmente volta a estar a subir na simpatia dos potenciais eleitores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Do BE recordo o papel importante de Miguel Portas, não apenas como eurodeputado, mas como homem do mundo, da nossa universalidade, qualidade tão portuguesa e talvez inigualável. Os seus documentários eram verdadeiras aulas de história das culturas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Francisco Louçã está a revelar-se melhor comentador-professor-escritor do que deputado. E a entusiasmada Catarina Martins, agora mais calma, tem revelado empenho e entusiasmo nas suas intervenções. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Quanto à sua cultura de base, consigo para já identificar a rebeldia, o seu protesto contra uma tendência corporativa mundial dominada pela finança.  Essa tendência hoje é visível. Só recentemente compreendi a razão dos seus protestos nas reuniões do G8 e do G20, que antecederam as transferências de capital da economia e dos contribuintes para os grandes bancos, que por sua vez antecederam as actuais reuniões e intervenções das troikas e dos tecnocratas de Bruxelas. Também só recentemente compreendi o movimento &lt;em&gt;Occupy Wall Street&lt;/em&gt;. Enquanto esta perigosa concentração de poder das corporações e da finança se mantiver a nível europeu, reflectindo-se nos países do sul e do leste, o BE terá expressão eleitoral, independentemente da sua ideologia política estar ou não datada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Os &lt;strong&gt;Verdes&lt;/strong&gt; são os Verdes, iguais a si próprios desde que ouço Heloísa Apolónia nalgumas das suas intervenções. Certeira no diagnóstico, estilo provocador, actualmente mais conciliatória talvez por perceber que a nossa situação é mesmo de emergência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Digamos que actualmente quem diagnostica melhor a realidade pode não estar ainda preparado para propor o melhor caminho, mas a percepção da realidade já é um passo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A &lt;strong&gt;sociedade civil&lt;/strong&gt; está muito mais atenta, também é nela que vemos a &lt;strong&gt;vitalidade e criatividade da mudança cultural para uma democracia de qualidade&lt;/strong&gt;, uma sociedade inteligente, aberta, criativa, tolerante, inclusiva. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E os jovens são os que estão melhor posicionados para dinamizar os &lt;strong&gt;movimentos cívicos&lt;/strong&gt;: por uma &lt;strong&gt;economia&lt;/strong&gt; da colaboração, liberta de constrangimentos, nas áreas que nos permitem &lt;strong&gt;autonomia alimentar&lt;/strong&gt;,&lt;strong&gt; industrial&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;energética&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;tecnológica&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;da investigação científica&lt;/strong&gt;. E por uma sociedade em que todos tenham acesso à &lt;strong&gt;saúde&lt;/strong&gt; de qualidade e à &lt;strong&gt;educação&lt;/strong&gt; de qualidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 29 Apr 2013 14:12:28 GMT</pubDate>
  <title>A responsabilidade da possibilidade de um &quot;novo rumo&quot; para o país</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/75389.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Gostaria de analisar alguns acontecimentos nacionais recentes em termos políticos (as decisões, a intervenção, o poder), económicos (a vitalidade, a substância, a base) e sociais (os grupos, as comunidades, os cidadãos).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Com0 vimos, as &lt;strong&gt;comemorações do 25 de Abril&lt;/strong&gt; revelaram algumas fragilidades do sistema e uma nova fronteira cultural: os que estão do lado da lógica da austeridade (do lado financeiro, do lado dos mais fortes, cultura corporativa) e os que estão do lado da negociação (do lado da economia, do lado dos mais fracos, cultura da colaboração).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta fronteira não se pode definir apenas por partidos de direita ou de esquerda, essa já é uma divisão artificial, é essencialmente uma questão cultural mais profunda, tem a ver com a acção de cada um. É pela acção (o que faz, o seu exemplo) que cada um reflecte os seus valores e princípios.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Na cultura corporativa (linguagem do poder), por exemplo, não temos apenas os que defendem os seus privilégios e excepções, temos igualmente os que acreditam que só alguns podem ter acesso à qualidade de vida e querem pertencer a esse grupo (conformismo).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Na cultura da colaboração, do mesmo modo, podemos vir a encontrar pessoas em lugares de responsabilidade que perceberam que só com a mobilização de muitos, cada um no seu papel, com o seu talento e criatividade, temos a possibilidade da animação da economia (a vitalidade de um país), a redução da dívida pública e a autonomia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E agora &lt;strong&gt;o congresso do PS&lt;/strong&gt;, que me surpreendeu pelo profissionalismo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Gosto de ver um trabalho bem feito, do rigor, da dedicação. E foi o que vi neste congresso do PS. Um espaço simples e arejado, com as cores certas, a música de fundo certa, as bandeiras do país em vez das bandeiras partidárias. A expressão &quot;um novo rumo&quot; sintetiza todo um projecto. Outra expressão &quot;as pessoas primeiro&quot;. Vemos já aqui, antes mesmo dos oradores subirem ao palco, uma mensagem clara: trata-se do país, das pessoas concretas. Este congresso é para o país e para as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- Os &lt;strong&gt;apoios internacionais&lt;/strong&gt; são fundamentais para se validar um projecto, para ser percebido como viável, para ser apresentado como uma nova  onda europeia. Isso foi conseguido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- A afirmação de uma equipa coesa ficou, para já, conseguida. Mas esta é, como veremos, uma das condições mais delicadas. É assim que se garante a &lt;strong&gt;coerência&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;consistência&lt;/strong&gt; de um projecto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- Uma &lt;strong&gt;mensagem política&lt;/strong&gt; implica &lt;strong&gt;autenticidade&lt;/strong&gt; (verdade) e &lt;strong&gt;responsabilidade &lt;/strong&gt;(realidade). Os dois discursos do secretário-geral, baseados na observação da realidade, nos resultados da lógica da austeridade, e propondo iniciativas viáveis, foram adequados. E sobretudo o tom de entusiasmo, afectivo, da abrangência e da tolerância. Passou a mensagem de estar atento, de acolhimento e de um caminho possível se todos quiserem: &quot;um novo rumo&quot; e &quot;as pessoas primeiro&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- &quot;&lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Inteligência&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&quot; foi uma palavra utilizada e muito bem aplicada. Raramente os políticos a utilizam para fundamentar as suas decisões, assim como a humildade de avaliar os resultados de algumas decisões e mudar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- A insistência na &lt;strong&gt;economia&lt;/strong&gt; e no trabalho, &quot;as pessoas primeiro&quot;, a&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; vitalidade de um país e a sua viabilidade. O &lt;strong&gt;valor do trabalho&lt;/strong&gt; na prioridade emprego, emprego, emprego. As empresas como os motores da economia, as áreas produtivas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- A &lt;strong&gt;coesão territorial&lt;/strong&gt; também muito importante. A proximidade dos serviços aos cidadãos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Salvar o núcleo do Estado Social: a &lt;strong&gt;saúde&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;educação&lt;/strong&gt;. Não destruir o que de melhor se construiu. Melhorar a sua eficiência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- A abertura à &lt;strong&gt;colaboração&lt;/strong&gt; de todos os enquadramentos políticos, de todos os grupos da concertação social, de todas as associações e movimentos (a tal colaboração políticos - sociedade civil). E sim, concordo que essa abertura se mantenha mesmo que venham a conseguir uma maioria absoluta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- Outro aspecto fundamental para&lt;strong&gt; credibilizar os políticos&lt;/strong&gt; e a representação política partidária: os políticos como exemplo cívico, de uma democracia de qualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- Também o &lt;strong&gt;respeito institucional&lt;/strong&gt;, o respeito pelos órgãos de soberania, mesmo que se discorde das suas decsões.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Estava lá tudo, sem dúvida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Em relação à&lt;span&gt; &lt;strong&gt;coesão interna&lt;/strong&gt;:&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt; esta é a parte mais delicada como disse atrás, e a mais importante, porque é a base da possibilidade da concretização de todo o projecto que já se pôs em movimento. A equipa une-se desta vez à volta de um desafio para o país, de um projecto maior do que qualquer grupo partidário, e já não (como antes) à volta de um líder político, de uma personalidade (culto da figura do herói, como o ex-PM). &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Alguns egos políticos parecem ainda não ter interiorizado a cultura da colaboração que se quer iniciar. A tentação de emergirem de novo, de insistirem nos velhos hábitos (agressividade de discurso contra o governo ou o PR, afirmação competitiva face a outros partidos), pode estragar a mensagem que se quer transmitir para mobilizar todos e cada um, e acabar por boicotar esse projecto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Espero que esta equipa tenha bem consciente a responsabilidade de ter criado a &lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;expectativa&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; da possibilidade de &quot;um novo rumo&quot; para o país, nas pessoas que têm sido massacradas com mais cortes previstos e que têm vivido estes dois últimos anos a angústia de serem os próximos a ficar sem trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta responsabilidade é enorme, exige o envolvimento de toda a equipa e dos que se juntarem a essa onda, diariamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Já vimos como muitos projectos promissores terminam por nos decepcionar devido à cultura de base dos seus elementos e à atracção de oportunismos vários, sempre que surge a vitalidade de um trabalho bem feito e da dedicação de alguns.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Desejar-lhes boa sorte é tudo o que posso dizer. Apreciei o seu trabalho, conseguiram surpreender-me e isso não é fácil: já cá ando há muito tempo a observar e a registar, e sinceramente, apenas fui permeável às mensagens políticas de Sá Carneiro e, muitos anos mais tarde, dos &lt;em&gt;Estados Gerais&lt;/em&gt; de Guterres, da &lt;em&gt;política de verdade&lt;/em&gt; de Manuela Ferreira Leite e, mais recentemente, de &lt;em&gt;Este é o momento&lt;/em&gt; de Paulo Portas. Já vimos que todos eles duraram muito pouco, engolidos por outras agendas políticas dominantes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Hoje só um projecto abrangente que mobilize a sociedade civil pode lidar com os desafios que a actual lógica dominante na Europa e no mundo financeiro nos quer impor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Quanto à variável &lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Europa&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;, inserida nos discursos e que não depende de nós (embora uma onda de vários países já possa contar), considero fundamental - e já que o Presidente resolveu falar do pós-troika - que, além de se fazer a ginástica possível com os constrangimentos da dívida e da moeda única, se comece a preparar uma possível saída do euro. As duas hipóteses estão já a 50-50.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Falar de federalismo europeu é necessário para não assustar alguns cá dentro e lá fora, mas... cá para nós (e poucos Viajantes passam neste cantinho), isso já não é possível. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Depois dos cidadãos europeus, sobretudo os do sul e do sudeste, terem percebido o que os gestores do poder político e financeiro e alguns cidadãos de países do norte estão dispostos a fazê-los penar (sem casa, ausência de cuidados de saúde, sem acesso à educação, fome), acham mesmo que embarcam nessa armadilha? Acham mesmo que &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;depois desta &lt;strong&gt;violência&lt;/strong&gt;, porque há muitas formas de violência, os cidadãos embarcam em mais um projecto maníaco e perverso como esse?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>educação</category>
  <category>cultura da colaboração</category>
  <category>política</category>
  <category>saúde</category>
  <category>novo rumo</category>
  <category>congresso do ps</category>
  <category>sociedade civil</category>
  <category>economia</category>
  <category>mobilização cívica</category>
  <category>europa</category>
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  <category>coesão territorial</category>
  <category>valor do trabalho</category>
  <category>ps</category>
  <lj:mood>desejo boa sorte</lj:mood>
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  <pubDate>Fri, 26 Apr 2013 15:03:29 GMT</pubDate>
  <title>Aproximação partidos políticos - sociedade civil: alguns equívocos culturais</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/75023.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O dia de ontem ainda nos traria mais uma surpresa e igualmente no programa &lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;text-align: justify; font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot; href=&quot;http://www.tvi24.iol.pt/programa/4322&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Política Mesmo da tvi 24&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;text-align: justify; font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;: uma entrevista de Paulo de Magalhães a uma das figuras conhecidas na segunda fase do anterior governo PS: João Tiago Silveira. Lembram-se dele? Um rosto redondo de menino de coro que ficava sempre a sorrir por detrás dos protagonistas? Aquele que serviu de nova imagem do anterior governo PS e que vinha apresentar as novas medidas? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Pois bem, parece que o entrevistado entregou uma carta ao Presidente do partido, juntamente com um grupo de outros militantes, com uma proposta de aproximação do partido à sociedade civil, para fazer pontes e abrir o partido à participação e colaboração dos cidadãos-eleitores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Parece que esta proposta ainda não foi aceite para apresentar neste Congresso e compreende-se porquê:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta não é uma proposta credível de abertura à participação e colaboração da sociedade civil, porque se preocupa essencialmente com a abertura à participação dos cidadãos em eleições de candidatos à liderança do partido, assim como à possibilidade de votar em propostas e de apresentar petições em congressos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Surge-nos assim de novo a marca registada do marketing político do anterior governo PS, o tal das propostas fracturantes (o entrevistado vai desfiando o seu rosário), a marca de uma cultura populista, que vive à volta da figura do líder, da imagem, da fama, do herói.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta marca registada revela-se própria de uma sociedade de espectáculo, da &lt;em&gt;trash culture&lt;/em&gt;, do circo político: &lt;em&gt;telemóveis em riste, marque o nº 70721 se quer o candidato A, marque o nº 70722 se quer o candidato B&lt;/em&gt;, tal como os Ídolos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Esta proposta é muito à frente no séc. XXI, muitos filmes de ficção científica já anteciparam este circo global, a confusão geral onde ninguém se responsabiliza por nada nem ninguém pode ser responsabilizado. É eleito o mais popular, mesmo que pelas piores razões. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Onde está o espaço da reflexão?, da avaliação do perfil dos candidatos?, dos valores defendidos pelo partido?, do compromisso?, da verdade?, da qualidade e viabilidade das propostas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O entrevistado só acertou na constatação da realidade actual: há realmente um fosso crescente entre os políticos e o eleitorado, entre o sistema partidário e a sociedade civil. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Só que se esqueceu de dizer que a responsabilidade desse afastamento é dos partidos políticos, da sua actuação, do comportamento dos seus responsáveis e restantes elementos, da degradação a que chegaram, ética, moral e cívica, da governação política incompetente e da gestão ruinosa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;De facto, vemos a decadência dos partidos, como estão descredibilizados, desactualizados e obsoletos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A frescura, a vitalidade e a criatividade estão do lado da sociedade civil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mas voltemos à proposta:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Se o entrevistado lesse uns livros de história política ficaria esclarecido e veria que essa aproximação à sociedade civil depende do partido arrumar a casa primeiro, como passo a explicar:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;em&gt;Partido&lt;/em&gt; = partido, subdividido&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; em subgrupos, incoerências internas, indefinição do projecto, competição pelos lugares;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;em&gt;Arrumar a casa&lt;/em&gt; =  &lt;span&gt;debater e reflectir, avaliar os erros cometidos, assumir as suas responsabilidades, mudar de estratégia. (A&lt;/span&gt;rrumar a casa não é varrer para debaixo do tapete como foi feito naqueles 4 meses providenciais entre o abandono de Guterres e o catapultar do ex-PM-actual-comentador-político.)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mas o que é que os cidadãos vêem acontecer? Passar uma esponja sobre o passado e virar todas as munições contra os adversários, os outros partidos e as instituições do sistema.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Uma aproximação partidos políticos - sociedade civil implica uma alteração cultural profunda dos políticos, do seu comportamento, da lei eleitoral, da representatividade dos deputados na AR, da responsabilização dos gestores políticos por erros cometidos (competência), pela gestão danosa de dinheiros públicos (justiça). A confiança depende da verdade, da informação correcta e actualizada, da participação cívica diária&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Portanto, a&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;ntes de se abrir à participação e colaboração da sociedade civil, o partido A ou B deve primeiro definir-se:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- a sua identidade, a sua cultura, os seus valores e princípios, o seu centro, a sua bússula, o que permanece intacto apesar das mudanças conjunturais;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- essa identidade (o essencial) deve ser coerente e consistente, e percebida, aceite e interiorizada pelos gestores políticos e pelas suas bases;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- essa identidade (o essencial) é a carta de apresentação à sociedade civil, no logotipo, no site, no discurso e na intervenção pública;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- o comportamento dos seus elementos deve respeitar essa identidade essencial (coerência e consistência) e ser um exemplo cívico (credibilidade).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A seguir vem o projecto conjuntural, a estratégia, que deve ser adequada à realidade, além de inteligente, viável e criativa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A estratégia deve considerar prioridades bem definidas e o teste prévio da eficácia da intervenção proposta (o que implica ter bases de sustentação, apoios internacionais, fazer o trabalho de casa).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Na interacção com os outros partidos e &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;com todos os responsáveis políticos, sociais, financeiros e económicos, deve revelar abertura e receptividade à negociação sempre que existir uma proposta concreta. E fazer a promoção das suas propostas, com entusiasmo e convicção, resistindo a opiniões e comentários críticos e/ou provocadores. O que interessa são as propostas, viabilizá-las. É isso que ficará registado na história, os resultados, o que funciona.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;Ganhar a confiança dos cidadãos é um processo que exige muito trabalho diário e muita paciência, ir juntando pontos de credibilização até começar a ser&lt;/span&gt; percebido pela sociedade civil como grupo e como equipa consistente e credível.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Estes pontos ou créditos de confiança implicam&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; uma informação correcta da realidade (verdade) e um comportamento coerente e consequente (o exemplo cívico).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Como vimos, são os partidos que terão primeiro de fazer o trabalho de casa. Quando forem percebidos como credíveis, a aproximação da sociedade civil, a participação cívica e a colaboração cívica, far-se-á naturalmente&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Hoje, com a comunicação facilitada e quase universalizada, os cidadãos já podem dar ideias e propor mudanças nos sites dos diversos partidos. É só enviar um e-mail ou fazer um comentário. Mas terá de haver espaço para um debate sério, não para o ruído da confusão geral e populista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; Gostava de, um dia destes, analisar os movimentos cívicos e como se estão a tornar&lt;span&gt; cada vez mais activos e eficazes. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Alguns já tentaram constituir-se como partidos políticos, entrando no sistema partidário e eleitoral. Resultados? Vantagens?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Para já, &lt;strong&gt;enquanto se mantiverem os equívocos culturais actuais, a lei eleitoral, o nº excessivo de deputados, a sua distância relativamente a quem os elege (representatividade), vejo como pouco vantajosa essa formalização&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Nota de esclarecimento a 2 de Junho de 2014:&lt;/strong&gt; Muita coisa se passou neste país neste último ano. A nossa democracia foi-se fragilizando com o governo-troika e, com a opção presidencial por um apoio incondicional ao governo-troika, hoje já não se pode falar de um equilíbrio de poderes porque está tudo desequilibrado, e sempre que o tribunal constitucional dá pareceres é logo chantageado, e isto em cima de cidadãos mssacrados com impostos e cortes, despedimentos, ausência de perspectivas futuras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;Já não se ouve falar de um provedor de justiça, a figura desapareceu?, nem da procuradoria-geral da República, nem propriamente de Justiça. Talvez por isso os rsultados das eleições europeias tenham vindo abanar o status quo, de tal modo que surgiram dois novos factos políticos: o MPT com Marinho Pinto capitalizou votos de descontentes e desanimados, e no PS deu-se a invasão socrática, apoiada pelos media e com a expectativa tácita dos que defendem um consenso nacional, um bloco central digamos, o balão de oxigénio do sistema.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;É neste novo contexto da existência de um desequilíbrio de poderes e da tentativa do sistema se proteger de uma nova configuração da AR nas próximas legislativas, blindando-se num bloco central, que procurei analisar de novo a proposta de primárias abertas para escolher o candidato a líder do partido, apresentado por Tiago Silveira e que, neste post, considerei populista, a não ser que se procedesse a uma revisão da actual lei eleitoral. Pois bem, o assalto ao poder do Presidente da Câmara de Lisboa baseia-se na pretensão de conseguir mais votos para o PS do que os obtidos por Seguro nas eleições europeias. Não se trata de debater um projecto que faça frente ao novo rumo com o qual parecia estar de acordo, não, é apenas uma questão de popularidade. Sendo assim, a única forma de provar que sim, está melhor colocado para obter mais votos, é em primárias abertas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;Esta invasão socrática acabou por despertar de novo, numa parte do PS, esta aproximação aos cidadãos. É esta a parte positiva, a meu ver, a possibilidade de liderarem uma revisão eleitoral que torne a AR mais representativa. E a proposta foi mais longe: a redução a 180 deputados. Se esta linha regeneradora do PS for a vencedora nas primárias, o PS será o partido tradicional a revelar mais vitalidade e criatividade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;Claro que a democracia incomoda muita gente, a possibilidade inovadora dos cidadãos participarem na vida colectiva, isto é, uma democracia mais representativa e participativa é uma amaeaça para as elites no poder há décadas, o rotativismo garantido, o controle da máquina estatal e da administração pública, das empresas públicas e público-privadas, as fundações, as decisões opacas, a alienação de recursos estratégicos, as promessas à troika. Prevêem-se portanto muitas reacções, com o apoio dos media, sobretudo nos canais televisivos, onde estão os políticos comentadores estrategicamente colocados para a propaganda semanal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt;Este episódio no PS exemplifica o estado actual da nossa democracia. Podemos mesmo dizer que se trata de uma autêntica &quot;luta de classes&quot;, uma jornalista que entrevistou Seguro até insistia que do lado do seu adversário estavam muitos &quot;notáveis&quot; A resposta foi certeira: a democracia é fantástica, uma pessoa um voto.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: medium;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 25 Apr 2013 12:11:44 GMT</pubDate>
  <title>As vozes das mulheres na política activa</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/74977.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ora finalmente vozes de mulheres numa comemoração da revolução dos cravos. Uma lufada de ar fresco dos egos masculinos que tudo ocupam com a sua verbosidade sem alma. Precisamos de mais vozes de mulheres na política activa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Mulheres que, relativamente aos valores humanos fundamentais, se posicionam, a meu ver, em 2 grandes grupos&lt;/strong&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- umas já se libertaram da linguagem do poder masculina e da necessidade de aprovação social (conformismo): mulheres feitas, autónomas, corajosas, que pensam pela sua própria cabeça, que defendem os valores humanos essenciais e que coincidem necessariamente com os valores de uma democracia de qualidade, e propondo, com entusiasmo e convicção, diversos caminhos que correspondem às suas afinidades filosóficas, sociológicas e políticas. Neste primeiro grupo encontram-se, a meu ver: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=kmnavpth1EM&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Heloísa Apolónia &lt;/a&gt;(Verdes), &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=vZRp8MkXhI4&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Catarina Martins&lt;/a&gt; (BE) e &lt;a href=&quot;http://www.pcp.pt/retomar-o-caminho-de-abril-e-cumprir-os-princ%C3%ADpios-consagrados-na-constitui%C3%A7%C3%A3o&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Paula Santos&lt;/a&gt; (PCP);&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; - outras ainda se mantêm na linguagem do poder masculina e na necessidade de aprovação social (conformismo), algumas não se apercebendo desse facto: mulheres à procura do seu papel no teatro político, com ambições pessoais a sobrepor-se aos valores humanos essenciais próprios de uma democracia de qualidade. Embora o seu discurso refira esses valores, revelam falta de entusiasmo e convicção além de equívocos culturais: assistencialismo não é equidade nem dignidade, é paternalismo. Neste segundo grupo encontram-se, a meu ver: &lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=646582&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=122&amp;amp;visual=61&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Cecília Meireles&lt;/a&gt; (CDS) e &lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=646596&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=122&amp;amp;visual=61&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Assunção Esteves&lt;/a&gt; (Presidente da AR).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;Coloquei Paula Santos (PCP) no primeiro grupo apesar da sua formatação cultural a um enquadramento sociológico obsoleto da família política a que pertence, porque revela um contacto com o concreto e a vida das pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Quanto a Cecília Meireles e Assunção Esteves, espero não estar a ser injusta com estas mulheres: &lt;span&gt;Cecília Meireles não sei se alguma vez conseguirá fazer esse exercício de transição para a verdadeira autonomia, julgo que permanecerá na segurança do conformismo, da aprovação social e do politicamente correcto. &lt;/span&gt;Assunção Esteves pode estar intelectualmente próxima dos valores essenciais de uma democracia de qualidade, mas precisa ainda de sair do formal para o concreto, dos livros para a vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Vamos agora analisar muito rapidamente as &lt;strong&gt;3 vozes masculinas do dia&lt;/strong&gt; e ver se ainda há reabilitação possível:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- &lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=646580&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=121&amp;amp;visual=49&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Alberto Costa&lt;/a&gt; foi, das 3 vozes masculinas, a que mais se aproxima dos valores essenciais. O PS escolheu alguém respeitado e actualizado em relação à Europa. Foi, aliás, o unico que conseguiu aplausos de todas as bancadas ao lembrar um dos capitães de Abril, Marques Júnior;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- &lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=646593&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=122&amp;amp;visual=61&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Carlos Abreu Amorim&lt;/a&gt; foi a escolha do PSD. O consenso foi o mote do discurso. Como se poderá facilmente desmontar, &lt;em&gt;consenso&lt;/em&gt; é a proposta do conformismo e da aceitação acrítica, e aqui estamos em plena linguagem do poder. Todo o discurso está elaborado numa perspectiva histórica pretensamente patriótica, mas são apenas palavras, verbosidade sem alma;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- o &lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=646580&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=121&amp;amp;visual=49&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Presidente da República&lt;/a&gt; utilizou um discurso contraditório e muito mal organizado: deveria ter começado pelo fim, essa era a parte que deveria ter lido logo no início, porque era a parte que dizia respeito ao país e aos seus conterrâneos. Depois, limar as arestas de um discurso enfandonho que foi construído cuidadosamente para não escandalizar por esta ordem: troika, BCE, CE, FMI, Alemanha, banca, mercados, governo. Ora, essa tarefa é impossível: defender o país e os seus concidadãos vai implicar necessariamente desagradar a todas essas entidades, governo incluído. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ao ser percebido como estando do lado de lá, tal como o governo é percebido hoje, está do lado errado, e comprometeu talvez irremediavelmente a possibilidade de exercer uma influência activa no caminho do país para a sua recuperação. Limitou assim a sua influência para o lugar escondido onde tem permanecido: os bastidores, por detrás das cortinas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;De resto, nada a dizer, a não ser que é, actualmente, um pré-reformado presidencial. Isso percebe-se quando escolhe a palavra &lt;em&gt;fadiga&lt;/em&gt; para adjectivar a austeridade que os cidadãos sentem na pele. A fadiga é a dele. A fadiga é um privilégio dos ociosos. O que os cidadãos sentem não tem nada a ver com fadiga. O que os cidadãos sentem é insegurança, incerteza, angústia, receio, desespero, aflição.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Nota:&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Metade dos oradores do dia nasceu depois do 25 de Abril de 74 ou eram ainda crianças. Achei esse ponto interessante. Seria uma variável a  considerar relativamente à frescura do seu discurso, mas à partida parece não os distinguir (ex.: Heloísa Apolónia, Cristina Martins, Paula Santos, Alberto Costa, do lado de um discurso que se refere à realidade concreta, à vida dos cidadãos; Cecília Meireles, Assunção Esteves, Carlos Abreu Amorim, Presidente da República, do lado do discurso abstracto e obsoleto).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E o dia não iria terminar por aqui:  &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;D&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;epois da festa dos diversos rostos do poder na Assembleia da República, veio a festa dos cidadãos na rua, de Pombal ao Rossio, discursos no Rossio, e o desaguar finalmente e simbolicamente no largo do Carmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Reacções ao discurso do PR:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Dos cidadãos:&lt;/strong&gt; parece que a generalidade dos cidadãos que ligaram para a Antena Aberta da Sic Notícias e os entrevistados nas celebrações na rua não gostaram do discurso do PR. Digamos que não só não gostaram como estavam decepcionados uns, indignados outros. Que o PR não estava à altura das suas funções. Que o PR estava a defender o governo. Que o PR mais parecia um Chefe do governo do que um Presidente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Do PS:&lt;/strong&gt; acusaram o toque ainda no corredor da AR e de forma muito contida na recepção dos colegas estrangeiros da família socialista que organizou o congresso em Lisboa. Prometeram falar disso durante o congresso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;strong&gt;Dos comentadores políticos:&lt;/strong&gt; parece que só Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel entenderam de forma diferente o discurso do PR.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;No &lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot; href=&quot;http://www.tvi24.iol.pt/programa/4322&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Política Mesmo da tvi 24 &lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;(aos 22:30), &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Manuela Ferreira Leite tenta controlar os danos causados pelo discurso do PR, mais uma vez se aproximando do estilo usual do Prof. Marcelo: que não tinha visto no discurso uma provocação ao PS, que não entendia a reacção do PS, que o consenso era dirigido aos dois PSD e PS, que o PS estava &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;amuado. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Já identificámos aqui mais uma estratégia da linguagem do poder: tentar desvalorizar o direito à discordância do outro infantilizando-o. Aliás, o Prof. Marcelo recorre a esta estratégia frequentemente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;No entanto, Manuela Ferreira Leite esteve bem quanto à possibilidade do governo apresentar mais cortes no dia seguinte. Aqui foi peremptória: &lt;em&gt;Há dois dias foi apresentado um pacote ou um projecto ou enfim, um conjunto de p&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;ropostas no mínimo, para fomentar o crescimento. Agora amanhã temos outro conselho de ministros para fomentar o contrário do crescimento? Quer dizer, às 2ªs, 4ªs e 6ªs crescemos e às 3ªs, 5ªs e sábados entramos em recessão? Temos de nos entender mais ou menos. Não estamos à altura de mais medidas recessivas porque já toda a gente se apercebeu que essas medidas recessivas não resultam em efeitos sobre a consolidação das contas públicas, portanto direi que são gratuitas do ponto de vista da consolidação orçamental, e são altamente penalizantes do ponto de vista da recessão. &lt;strong&gt;Se amanhã tomamos medidas recessivas então anulamos quaisquer medidas que tenham algum interesse do ponto de vista do crescimento económico. Pior um pouco, é que as medidas recessivas terão efeitos imediatos e as medidas de projecto de crescimento não têm efeitos imediatos.&lt;/strong&gt; Entramos ainda mais em recessão? Há medidas ainda sobre aquelas que já existem? ... Vamos então ver que medidas vão ser tomadas. Se me disser que as medidas tornam a ser cortes nos vencimentos da função pública e pensões, ... então seria algo para não valer a pena estarmos aqui a discutir porque parece que estamos todos a trabalhar para um objectivo directo e efectivo de aumentarmos a recessão. ... &lt;strong&gt;Existem muitos pontos na função pública que nada têm a ver com os salários nem com as pensões e que poderão bem ser consideradas&lt;/strong&gt;...&lt;strong&gt; Nunca o desvio das contas públicas foi atribuído oas salários da função pública ou às pensões, nunca. Isso é um ponto que merece uma discussão mais alargada&lt;/strong&gt;, ... &lt;strong&gt;e esse buraco que aparece agora nas contas públicas&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;(os 3 mil M€ das especulações financeiras com dinheiros públicos, em empresas públicas) &lt;em&gt;&lt;strong&gt;é um bom exemplo de coisas efectivamente sérias do ponto de vista da dimensão do défice que provocam, que acontece no sector público, nas empresas públicas, nas autarquias, nas regiões autónomas, &lt;/strong&gt;...&lt;strong&gt; muitas coisas que nada têm a ver com os sectores que têm estado a pagar tudo isto.&lt;/strong&gt; E ainda vai haver mais, é? Eu não acredito. ... parece-me absolutamente bizarro. Não sou capaz mesmo de imaginar que se torne a reincidir num sector que já levou não sei quantos cortes, é que já não é cortar pela primeira vez, é cortar pela terceira ou pela quarta. ... A fase da emergência há muito que passou.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Logo a seguir e &lt;a href=&quot;http://www.tvi24.iol.pt/programa/4209&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;igualmente na tvi 24, no programa Prova dos 9&lt;/a&gt;, Paulo Rangel, o outro comentador que, tal como Manuela Ferreira Leite, tentou desvalorizar o impacto negativo do discurso presidencial, alega a má elaboração do texto, que o texto estava confuso e que por isso terá sido mal interpretado, pois não via ali nenhum apoio à política seguida pelo governo nem nenhuma crítica dirigida à oposição. Que, aliás, o PR até tinha sido duro com as políticas da Europa. Estes argumentos não convenceram. Um texto mal elaborado não retira algumas das suas partes. E estavam lá implícitos recados à oposição: nem pensem em eleições, isso é colocar os interesses partidários à frente dos nacionais... e não explorem a angústia do povo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Interessante como este paternalismo, aliás a cultura de base do &lt;em&gt;cavaquismo&lt;/em&gt; se bem se lembram, está aqui presente e é uma das heranças culturais do salazarismo. O actual PSD revela ser um depositário de muitos tiques culturais desse tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Vemos, também aqui, mais estragos provocados pelo regresso do anterior PM como comentador político da televisão pública. Porque o PR, sobrepondo ele mesmo as contas a ajustar com o PS desse governo, não resistiu a revelar isso num discurso que deveria ter sido pedagógico e ionspirador em dia de celebração da liberdade, fraternidade e esperança.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 21 Apr 2013 19:20:28 GMT</pubDate>
  <title>Que valores estão as mulheres na política activa a defender?</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/74733.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Num &lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot; href=&quot;http://www.tvi24.iol.pt/programa/4322&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;recente programa Política Mesmo da tvi 24&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;, com Paulo Magalhães, 4 deputadas, Francisca Almeida do PSD e Teresa Anjinho do CDS/PP de um lado, Marisa Matias eurodeputada pelo BE e Paula Santos do PCP do outro, ainda pensei: &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;para variar vamos ver o que estas mulheres têm para nos dizer, já cansa ouvir só homens e debates entre egos masculinos.&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; Mas mal sabia eu a decepção que iria ter... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Francisca Almeida, deputada do PSD, com a sua voz estridente que se deve ouvir nos cantos da sala da assembleia, com argumentos bem assimilados tipo propaganda governativa e a papaguear mais alto do que as adversárias, uma estratégia tão cara aos deputados da assembleia mas insuportável num debate para espectadores que querem ser informados, revelou estar apenas preocupada em defender o seu lugarzinho no parlamento e em defender o chefe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Teresa Anjinho, do CDS/PP, parecia uma bonequinha de plástico muito&lt;em&gt; in&lt;/em&gt; num certo meio e muito bem comportadinha (o nome fica-lhe bem), um exemplo de mimetismo social (a personagem que me surgiu foi Leonor Beleza) de que sofrem os políticos e todas as pessoas com ambições sociais: imitar o mentor idealizado, uma necessidade de aprovação social e o discurso certo para o efeito. Caricata a elaboração da sua pergunta à eurodeputada do BE em que inclui a resposta na própria pergunta, com o seu ar autoritário. De resto, apenas retórica e propaganda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Na verdade, depois de as ter visto e ouvido pela primeira vez, verifico que não estamos perante mulheres já feitas, autónomas, corajosas, e que sabem pensar pela sua própria cabeça, mas debutantes mimadas, que nada sabem da vida, das pessoas que dizem representar, do país que dizem defender, e que dependem da sua capacidade de agradar ao seu grupo de referência (aprovação social). Uma verdadeira decepção. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como um dia as duas irão verificar, quando adquirirem alguma maturidade, estão culturalmente obsoletas, cada uma no seu género e no que representa, renderam-se à linguagem do poder essencialmente masculina, do mais forte a submeter o mais fraco, considerando normal e saudável a manutenção da cultura da &lt;em&gt;caridadezinha&lt;/em&gt;, da vocação assistencialista do Estado. Falam de &lt;em&gt;emergência&lt;/em&gt; mas sem qualquer emoção. O que as move é apenas garantir o pagamento do empréstimo aos credores, por mais agiotas que se revelem actualmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Do outro lado: Paula Santos, do PCP, também desconhecida para mim. Embora tenha dito uma ou outra verdade e embora revele saber o que está em jogo, o seu enquadramento político está desactualizado. Mas foi dela o &lt;em&gt;punch&lt;/em&gt; certeiro a Teresa Anjinho e a Francisca Almeida desmontando a sua&lt;em&gt; perspectiva caritativa e assistencialista&lt;/em&gt;. Aqui esteve perfeita: de facto, podemos dizer que esta é uma &lt;em&gt;questão de classes&lt;/em&gt;, os grupos privilegiados (banca, grandes grupos económicos), &lt;em&gt;contra&lt;/em&gt; o resto da população portuguesa. Revela conhecer de perto a vida diária dos cidadãos, as dificuldades sentidas nos hospitais, nas escolas, os cortes nos subsídios de desemprego, as dificuldades das famílias, e que seria essencial valorizar salários e pensões para dinamizar o nosso mercado interno, assim como as pequenas e médias empresas, etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E finalmente Marisa Matias, eurodeputada pelo BE, a única com quem consegui sentir uma afinidade cultural, a única que se revela empenhada num propósito maior do que o seu ego, e isso percebe-se desde logo pela informação de que dispõe, pelo entusiasmo genuíno, pelos argumentos fiáveis e baseados no essencial. Revelou estar bem informada sobre o que está a acontecer na Europa e no país e saber exactamente o que está em jogo.  Revelou aqui verdadeira empatia com os cidadãos, percebemos que não é retórica nem simples propaganda. É uma mulher de acção. Já a conhecia de uma reportagem sobre a sua intervenção no parlamento europeu, em que ficamos inspiradas sobre o que uma mulher pode fazer para exigir uma informação correcta, a defesa dos cidadãos europeus negligenciados, a divulgação de autênticas situações de crise humanitária. Uma mulher feita, que pensa pela sua própria cabeça, que tem os neurónios a funcionar, a empatia a funcionar, a capacidade de agir de forma inteligente e consequente. Só uma mulher autónoma, que sabe observar e intervir, pode inspirar-nos, mulheres, a observar e participar. E qual foi a informação crucial que esta eurodeputada nos trouxe? A seguinte:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Passou em votação no parlamento europeu um Relatório de actividades do BCE com um parágrafo com uma recomendação para reverter para os países intervencionados as suas mais-valias com a dívida desses países: 3 mil M€/ano. Dá para acreditar? (Já Francisco Louçã, aliás, o tinha revelado no dia anterior no mesmo programa da tvi 24, ao apresentar o livro &lt;em&gt;Isto é um assalto, &lt;/em&gt;que só com a dívida portuguesa o lucro do BCE corresponde a 1,5 mil M€/ano). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E sabem quem votou contra? Precisamente: os eurodeputados do PSD e do CDS.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Está tudo dito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Quanto à análise que aqui deixo sobre as mulheres: a questão aqui não é o partido &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;y&lt;/em&gt;, a questão é: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Que valores estão as mulheres na política activa a defender?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 19 Apr 2013 11:05:39 GMT</pubDate>
  <title>A linguagem do poder da troika e do governo: consenso alargado = suicídio colectivo</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/74301.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A linguagem do poder tem várias estratégias para conseguir impor a vontade de muito poucos sobre muitos outros. Vem nos livros. Uma delas é manifestar publicamente por palavras a vontade de ouvir o adversário ou alguém que é percebido pela opinião pública como adversário (pois, como sabemos, todos os partidos fazem parte do mesmo sistema).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Outra estratégia que o governo utiliza é a chantagem da troika, &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;não há medidas&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; (cortes nos mesmos) &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;não há dinheiro&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;, para justificar a necessidade de um consenso alargado. Consenso para eles é consentimento, claro. Para os cidadãos é o suicídio colectivo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Outra ainda, o marketing político e a propaganda a substitur a verdade, nas televisões sobretudo, mas também noutros meios de comunicação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Já identificámos aqui &lt;strong&gt;3 estratégias da linguagem do poder&lt;/strong&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- &lt;strong&gt;utilizar termos que parecem significar abertura, flexibilidade, cultura democrática, mas que pretendem exactamente envolver o outro, implicá-lo nas suas decisões, comprometê-lo em termos de responsabilidade assumida&lt;/strong&gt;. Aqui surge o termo consenso alargado. &lt;em&gt;Consenso&lt;/em&gt; no dicionário dos sinónimos = &lt;em&gt;acordo; anuência; aprovação; assentimento; beneplácito; consentimento; parecer; praz-me; unanimidade&lt;/em&gt;. Está tudo dito. Se o objectivo fosse a tal abertura e flexibilidade relativamente à escolha das medidas a aplicar, revelando uma cultura democrática, o termo adequado seria negociação, por exemplo; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- &lt;strong&gt;colocar as suas decisões numa posição de força e de chantagem&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;não há medidas&lt;/em&gt; (cortes nos mesmos) &lt;em&gt;não há dinheiro&lt;/em&gt;, tentando manter os cidadãos apreensivos, com receio do futuro, &lt;strong&gt;instilando o medo&lt;/strong&gt; para conseguir aceitação e obediência acrítica; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;o marketing político e a propaganda martelada nas televisões&lt;/strong&gt;, com a aparência de debates entre posições ligeiramente diversas para confundir os espectadores e levá-los a aceitar as suas opiniões e decisões como as correctas e as inevitáveis. Em vez de uma informação fiável, temos a propaganda a substituir a verdade. Embora não seja apenas a televisão o meio de comunicação utilizado (a internet já está atafulhada de propaganda governamental), a televisão ainda é o meio privilegiado da propaganda, pois os cidadãos do país ainda a utilizam como a principal forma de se manter informados (basta ver uma das antenas abertas).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Exemplo: analisem a diferença de discurso de Manuela Ferreira Leite, num espaço muito curto de tempo, isto é, de dia 11 para dia 18, nestes 2 vídeos do programa &lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Política Mesmo da tvi24&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- no primeiro, &lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot; href=&quot;http://www.tvi.iol.pt/programa/politica-mesmo/4322/videos/164760/video/13842370/1&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;a entrevista de dia 11&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;, Manuela Ferreira Leite faz uma radiografia bastante fiel da nossa situação actual, refere-se a um &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=642903&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=123&amp;amp;visual=61&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;harakiri&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=642903&amp;amp;tm=9&amp;amp;layout=123&amp;amp;visual=61&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt; &lt;em&gt;colectivo&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (o tal suicídio colectivo), e procura informar sobre a nossa situação concreta, mostrando os malefícios da &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;política de austeridade&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; como nos foi imposta pela troika e pelo governo nestes dois anos, na economia e nas vidas dos cidadãos, mas também porque, apesar dos sacrifícios dos cidadãos, não se está a reduzir nem a dívida nem o défice;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- no segundo, &lt;/span&gt;&lt;a style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot; href=&quot;http://www.tvi.iol.pt/programa/politica-mesmo/4322/videos/164760/video/13847072/1&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;o primeiro programa já como comentadora-política-económica&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;, muda de registo para um discurso em termos completamente diversos, quase nos apresenta de um futuro risonho com a simples entrada destes 2 ministros que vieram substituir o ministro-bode expiatório. Dá para acreditar? Manuela Ferreira Leite, a referência da &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;política de verdade&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;, subitamente convertida à &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;fé governamental, &lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;embora nos diga que a sua opinião é subjectiva pois é amiga de Marques Guedes e sabe que é dialogante (?), e ouviu dizer que o ministro Maduro é um académico brilhante  muito considerado internacionalmente e que vai sensibilizar os tecnocratas europeus (!?) Reparem também no jornalista Paulo Magalhães, primeiro perplexo, depois inquieto, finalmente aflito. Será que Manuela Ferreira Leite se irá converter num segundo Prof. Marcelo? Espero que não, pois uma política de verdade é raríssima no país.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Para começarmos a duvidar se não terá ficado tudo ao contrário, aparece um Francisco Louçã subitamente calmo e sensato, embora muito entusiasmado, a falar do livro de bd, &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.fnac.pt/Isto-e-um-Assalto-Francisco-Louca/a682271&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Isto é um assalto&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; (Saída de Emergência). Verificamos que é muito melhor como autor-professor do que como dirigente político. Muito interessante e esclarecedora a descrição da nossa história financeira. Ficámos a perceber as relações do poder político-poder financeiro, &lt;em&gt;quem ganha com a nossa desgraça&lt;/em&gt; (com os juros da nossa dívida). Vale a pena ver o vídeo relativo a ontem, dia 18, mas ainda não o encontrei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 10 Apr 2013 16:25:03 GMT</pubDate>
  <title>A criança faz uma birra, o adolescente bate com a porta, o adulto negoceia de forma responsável</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/73958.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Os egos dos políticos interferem no seu comportamento e nas suas decisões, situando-se ao nível da maturidade do adolescente: querem agradar aos poderosos e detentores do poder financeiro, ao grupo de referência, ao grupo dos apoiantes, etc, etc. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Vivem na azáfama de construir uma carreira política e para isso d&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;ependem de favores e de expectativas de um futuro numa qualquer empresa pública ou PPP ou câmara municipal ou fundação, etc. etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;É por isso que são os actores ideiais do teatro político pois limitam-se a seguir um guião escrito previamente pelos interesses dos grupos financeiros e económicos, encenado diariamente nas televisões. Um adulto autónomo e responsável questionaria o guião, tentaria adaptá-lo às circunstncias actuais e ao benefício dos cidadãos como um todo, consideraria o grande plano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Hipoteticamente, um político com a maturidade de um adulto portanto não dependente da aprovação social, seria capaz, além de se adaptar às circunstâncias da realidade, de se antecipar às situações evitando assim colocar o país em risco. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Vejam 2 exemplos de incapacidade de negociar e de chegar a compromissos de forma responsável, tal como um adulto faria se estivesse no seu lugar:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- o discurso do PM em que responsabiliza o Tribunal Constitucional por um buraco orçamental (na verdade, aquele OE 2013 é &lt;a href=&quot;http://anticap.wordpress.com/2013/04/08/if-at-first-you-dont-succeed-in-imposing-austerity/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;apenas uma insistência na mesma tecla&lt;/a&gt;);&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- a entrevista na Sic e o discurso do líder da oposição, em que iniciou uma birra infantil ao insistir em eleições antecipadas, quando não há condições para tal (na verdade, os contribuintes do público e do privado, os que ficaram sem emprego, os que tiveram de emigrar e os pensionistas não lhe perdoariam tal desvario, pois são eles que estão a pagar o preço das irresponsabilidades de governos socialistas e social-democratas).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Outro exemplo do ego próprio dos políticos é a reacção de amor-ódio que Margareth Thatcher despertou nos britânicos, dividindo o país ao meio na altura da sua saída de cena. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como &lt;a href=&quot;http://michael-hudson.com/2013/04/mrs-thatchers-mean-legacy/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;este texto de opinião&lt;/a&gt; refere, não é de bom tom (nem de humanidade mais elementar) tecer considerações negativas quando alguém parte mas, tal como os autores referem de forma muito perspicaz, a própria gostaria de saber que despertou emoções fortes nos seus conterrêneos, pois não há nada pior para um ego de um político do que ser ignorado ou esquecido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E uma coisa é certa, como eles bem destacam, Margaret Thatcher mudou o Reino Unido muito mais do que se julga, em termos financeiros, económicos e sociais, desmantelando o sector público e mudando o centro da economia para a City of London, e influenciou muitas outras economias e equilíbrios entre economias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E mais ainda, essa profunda transformação revelou-se irreversível, levando os autores a apelidá-la de &lt;em&gt;rainha-mãe da austeridade&lt;/em&gt;. Destaco aqui alguns excertos:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mrs. Thatcher transformed the character of British politics by heading a democratically elected Parliamentary government that permitted financial planners to carve up the public domain with popular consent. Like her actor contemporary Ronald Reagan, she narrated an appealing cover story that promised to help the economy recover. The reality, of course, was to raise Britain’s cost of living and doing business. But this zero-sum game turned the economy’s loss into a vast windfall for the Conservative Party’s constituency in Britain’s banking sector.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Attacking rent-seeking in government, she opened the floodgates to economic rent-seeking in its classical sense: land rent in real estate (with debt-inflated “capital” gains) to make British property so high-priced that employees who work in London must now live outside it, taking highly expensive privatized railroads to work. Privatization also created vast new opportunities for monopoly rent for privatized public utilities, along with predatory financial takings by increasingly predatory banking.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;By time Mrs. Thatcher became Prime Minister in 1979, Britain had made over a century of enormous investment in public infrastructure. Financial managers eyed this commanding height as a set of potential monopolies to be turned into cash cows to enrich high finance. Mrs. Thatcher became the cheerleader for what became the greatest giveaway of the century as the City of London’s gain became the industrial economy’s loss. Britain’s lords of finance became the equivalent of America’s great railroad land barons of the 19th century, the ruling elite to preside over today’s descent into neoliberal austerity.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Her tenure as Prime Minister seemed to reprise Peter Seller’s role in Being There. She made good television precisely because her philosophy was stitched together in a sequence of sound bites that flattened complex social and economic relationships into a banal personal psychodrama. Mrs. Thatcher’s ability to sweep the broad financial and economic polarization and financial “free lunch” behind a curtain enabled her to distract attention from the consequences of what Harold Macmillan characterized as “selling off the family silver.” It was as if the economy was a middle-class grocer’s family trying to balance its checkbook along the lines of what its banker insisted were necessary in the face of wages being squeezed by rising prices for basic needs.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;The ground for Mrs. Thatcher’s rule was prepared by the fact that England’s economy was as much a mess as the rest of the world by the time she took office. The 1979 Winter of Discontent saw a perfect storm unfold. Unable to restrain Arthur Scargill and other and other labor grandstanders, the British Labour Party felt little need to wait for Britain’s share of North Sea oil to come on stream. That windfall would subsidize a decade of dismantling what was left of British industry. Oil states do not need to be efficient. They do not need industry, or even employment.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;The new twist was that the class war aimed at labor in its role of consumer and debtor, not as employee. England’s domestic industry took one beating after another as factories closed their doors throughout the country (with the most successful becoming gentrified real estate developments).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;The Iron Lady was convinced she was rebuilding England’s economy, while in reality it was only getting richer from London’s outlaw banks.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Throughout the world, the damage wrought by this financialized economy has been immense. By “liberating” national money from the constraints of taxing authorities, the Middle East stopped much of its projects for industrial development. After 1990 the Soviet bloc was deindustrialized to become an oil, gas and mining economy. And for Britain, trillions of dollars in global tax revenues that could have been used for industrial and social development were routed though London, where the UK has lived off the fees from this free-for-all. So despite Mrs. Thatcher’s admiration for Milton &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Friedman, famous for claiming that There Is No Such Thing As A Free Lunch, she made Britain’s economy all about obtaining a free lunch – eaten by &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;the world’s financial managers who flocked to its shores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;How much did Lady Thatcher come to understand about a financial sector of which she never deliberately favored? She never expressed regret about how her policies paved the way for New Labour to take the next giant step in empowering the City of London’s financial complex that has un-policed the banks to catalyze one financial crash after the next, hollowing out Britain’s economy in the process.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;When Mrs. Thatcher took power, 1 in 7 of the England’s children lived in poverty. By the end of her reforms that number had risen to 1 in 3. She polarized the country in a ‘divide &amp; conquer’ strategy that foreshadowed that of Ronald Reagan and more recent American politicians such as Wisconsin Governor Scott Walker. The effect of her policy was to foreclose on the economic mobility into the middle class that ironically she believed her policies were promoting.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;But finance always has lived in the short run, and nowhere in the world is banking more short-term than in Britain. Nobody better exemplified this narrow-minded perspective than Lady Thatcher. Her simplistic rhetoric helped inspire an inordinate share of simpletons conflating supposed common sense with wisdom.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Not altogether simple, perhaps, but simply opportunistic. As the uncredited patron saint of New Labour, Mrs. Thatcher became the intellectual force inspiring her successor and emulator Tony Blair to complete the transformation of British electoral politics to mobilize popular consent to permit the financial sector to privatize and carve up Britain’s public infrastructure into a set of monopolies. In so doing, the United Kingdom’s was transformed from a real economy of production to one that scavenged the world for rents through its offshore banks. In the end, not only was great damage inflicted on England, but on the entire world as capital fled developing countries for safe harbors in London’s banks. Meanwhile, governments throughout the world today are declaring “We’re broke,” as their oligarchs grow ever more rich.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 29 Mar 2013 19:56:34 GMT</pubDate>
  <title>O poder da palavra</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/73585.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A palavra. Tem em si mesma o poder de seduzir, programar, iludir, manipular, habituar, hipnotizar. Crescemos a ouvir histórias, definições, normas, regras, sugestões, ordens, classificações. O banho da educação é cultural e fomos nele mergulhados até submergir. É difícil resistir a essa influência, forma-nos para sempre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Mesmo que a nossa capacidade de observação infantil nos mostre as incoerências e as incongruências de algumas destas convenções inquestionadas culturalmente, tudo à nossa volta contraria essa observação individual. Mas se queremos viver de forma adaptada e integrada, acabamos por ceder a essa pressão cultural. Acabamos a valorizar a opinião generalizada, convencional, a norma, em vez da nossa própria observação. A terrível dependência da aprovação social.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O poder da palavra, pois. Temos de voltar a esse breve período anterior à programação para nos resgatarmos (identidade) e à nossa capacidade de observação (realidade). Há várias formas de o conseguir: calar a vozinha que nos acompanha a toda a hora com tarefas que a contrariam, ficar em silêncio e identificar todos os sons nocturnos, caminhar entre árvores procurando fazer o mínimo ruído, etc. Um exercício interessante é ligar a televisão e observar as personagens sem som, sobretudo os políticos e os comentadores: observar as expressões faciais, os movimentos na cadeira, o nervososmo nas pálpebras a tremer, os gestos com as mãos, etc. Evitar as rotinas diárias, efectuá-las numa ordem diferente ou de forma pouco habitual. Sair do carril. Ver de outra perspectiva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Vantagens de recuperar a capacidade de observação individual e confrontá-la com a geral, a norma: agir de forma inteligente, alerta e consequente, em vez de ser suepreendido pelos acontecimentos. Antecipar-se aos acontecimentos. Em vez de continuar a reagir a estímulos externos, agir em função da informação filtrada e processada por si próprio. Conectar-se com as pessoas e as comunidades que o podem esclarecer sobre algum assunto. Pedir ajuda às pessoas e às comunidades certas. Obter melhores resultados. Preparar o futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A palavra, as histórias, as versões dos acontecimentos, só distraem do essencial. Por trás da palavra está o manipulador, quem sabe o que quer e como o pode conseguir: o poder. Quem a utiliza sem critério é isso que pretende: vender uma ideia, entreter, distrair, iludir, ou mesmo enganar claramente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E não é só a política e os interesses que serve. É a ciência quando se tenta susbstituir à religião ou servir interesses políticos e outros, servidos pela política. É a religião também, seja qual for, sempre que se serve da palavra como instrumento do poder. E a comunicação social, que serve a política e os interessas que a política serve, e a ciência como nova religião e a religião quando se transforma em política.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Exemplo: tem-se colocado a questão em termos de se acreditar em Deus ou não acreditar, em se ser crente ou ateu. Quem se baseia na sua própria capacidade de observação percebe desde logo que esta é uma falsa questão, e uma forma muito rudimentar de a colocar. Não há separações entre crentes e ateus. O que os separa é a palavra, as histórias, as diferentes versões dos acontecimentos. Todos estamos ligados a todos e a tudo de uma forma que não sabemos descrever. Só a sede de poder sobre outros pode entrar na fórmula que separa pessoas, comunidades, perspectivas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Cristo Operário é um pequeno monumento construído nos anos 60, num local praticamente abandonado do interior da Beira Baixa. Na perspectiva mais benigna, esta representação de Cristo como &lt;em&gt;um operário entre operários&lt;/em&gt;, foi construído numa intenção de valorizar um trabalho simples e de dignificar uma classe social, uma parte da comunidade. Podia ter ficado esquecido no tempo, podia estar agora em ruínas, mas foi reabilitado culturalmente pela comunidade que ficou por ali. Quando penso em Cristo é aquele monumento que vejo, entre cedros e pinheiros. O que fica não é a palavra, mas a acção, o gesto, a decisão, a responsabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;No filme &lt;em&gt;Phenomenon,&lt;/em&gt; são as árvores ao vento que sossegam o nosso herói perturbado, com a mente sobrecarregada de perguntas por responder, de curiosidade por todos os mistérios, de novas ideias:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/y4ujMBlrkOM&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot; frameborder=&quot;0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Que esta Páscoa nos venha recuperar a capacidade de observação original, anterior à palavra, e a percepção de uma realidade que não precisa de se afirmar para se conhecer e sentir, a clara sensação de estarmos ligados a todos e a tudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 28 Dec 2012 19:13:24 GMT</pubDate>
  <title>Balanço do ano que passou e anúncio do ano que se inicia</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/72293.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O fim de mais um ano é sempre uma época para fazer balanços: o que fizemos e o que ficou por fazer, o que poderíamos ter feito melhor, o que aprendemos com as experiências que vivemos e com as interacções humanas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;É também a oportunidade para rever o filme do ano: as partes boas e as partes más, e ter a coragem de não saltar as más, de não as apagar da memória. Muito do que aprendemos surge com experiências que podemos considerar, numa primeira análise, como uma experiência para esquecer. Aconselho vivamente, pelo contrário,  a mantê-la na memória até aprender com a experiência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Este ano trouxe-me de tudo um pouco: desafio aos neurónios, a sua melhor parte aliás, mas também carinho partilhado, amizades, risos, sonhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E aprendi imensa coisa: que as aparências iludem completamente, que as lideranças em cargos de topo em instituições, países, organizações europeias e internacionais, &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/122378.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;não estão à altura da sua enorme responsabilidade&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Também aprendi que ninguém nos diz a verdade sobre o que nos espera no ano que vem nem nos anos mais próximos, e que nos estão a arrastar para um cenário de baixos salários, exclusão da vida activa, emigração, ausência de qualidade de vida e baixas expectativas para uma maioria da população.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Aprendi ainda que os gestores políticos não têm de prestar contas pela alteração do seu programa, pela alteração das regras do jogo, pela ficção e pela propaganda com que iludem os cidadãos. Também os gestores financeiros nada têm a propor para melhorar o cenário, porque de nada podem ser responsabilizados. Só têm de esperar que, custe o que custar, os cidadãos aguentem a crise.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Digamos que foi um ano muito instrutivo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ainda dizem que o mundo não acabou... O mundo, tal como o conhecemos, a maioria de nós, acabou mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O mundo agora é dos que &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/122728.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;vivem noutra dimensão&lt;/a&gt;, onde não há consciência nem responsabilidade, onde não há qualquer contacto incómodo com a realidade, a pobreza, a fome, que chatice, isso é para pensar duas ou três vezes por ano, a generosidade dos portugueses...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O mundo agora é dos que decidem pelos demais, pela população de um país, de países, de um continente, qual o seu salário, qual o seu nível de vida, quais as expectativas a que têm direito, e por aí adiante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O mundo que agora se impõe é o da cultura corporativa baseada no poder financeiro que domina o poder político, e a que têm de se subordinar a economia e a vida concreta dos cidadãos. E ainda nos falam de democracia cá e na Europa. Esse mundo ficou no papel, porque já nada se assemelha a uma democracia nem à tal comunidade coesa e solidária que se quis construir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Para desejar a todos o início de um novo ano com a vitalidade e a coragem necessárias para enfrentar estes desafios, aqui vai uma perspectiva criativa da empatia, a base das interacções humanas equilibradas e saudáveis:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer saportepreserve&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;http://www.youtube.com/embed/yOjL6baOwu0&quot; width=&quot;425&quot; height=&quot;344&quot; frameborder=&quot;0&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 19 Oct 2011 10:49:06 GMT</pubDate>
  <title>A acção inteligente e consequente no caminho da autonomia</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/64660.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Todos procuramos fórmulas que funcionem, nas nossas vidas e à nossa volta. Uns, em busca do sucesso e da aprovação social, outros, para simplesmente sobreviver num mundo competitivo, outros ainda, os mais ambiciosos a meu ver, para realizar os seus sonhos e serem felizes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Provavelmente, a maioria experimenta as várias fases deste caminho, há o tempo da simples sobrevivência, há o tempo do relativo sucesso profissional, há o tempo da materialização de um sonho antigo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Mas o verdadeiro sabor da autonomia, decidirmos pelas nossas vidas, sentirmo-nos perfeitamente alertas e despertos, conscientes do chão que pisamos, da sua consistência, dos seus obstáculos e perigos ou das suas oportunidades, esse sabor ainda não o experimentámos, a não ser em curtos períodos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;O caminho da autonomia não nos é apresentado na infância nem na adolescência, precisamente as épocas mais interessantes e promissoras do nosso desenvolvimento, em termos de inteligência e curiosidade. Nessas épocas promove-se precisamente a obediência e o conformismo, enquadrar numa forma de ver a realidade e de viver em comunidade. Com um pouco de sorte encontramos adultos que nos desafiam a pensar pela nossa própria cabeça, a descobrir as coisas, a não nos contentarmos com o que nos apresentam como real. E com mais sorte ainda, cruzamo-nos nas nossas vidinhas domesticadas com adultos divertidos, bem-humorados, gratos pela sua vida, por mais simples que nos pareça. Geralmente são pessoas de idade avançada e tempo para aturar uma criança ou um adolescente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Confundir a actual liberdade de movimentos de uma criança ou de um adolescente com autonomia é um erro. O que se passa hoje é bem diferente: estão entregues a si próprios. Falta ali um elo humano de ligação à realidade, mesmo que inadequado ou baseado na tradição, mas ainda assim melhor do que a actual ausência e tantas vezes negligência. As pessoas que antes exerciam um qualquer papel formativo ou de formatação, são agora substituídas por pequenos acessórios: telemóveis, blackberries, ipods, consolas, etc. De criaturas formatadas por adultos passamos a criaturas dependentes virtuais. Antes os adolescentes treinavam a autonomia a pouco e pouco até sair de casa. Hoje saem, divertem-se e voltam para comer e dormir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Não preparámos uma geração de autónomos mas de autómatos. O que vemos hoje são pessoas paralisadas pelo medo do futuro, incapazes de agir de forma adequada a cada situação que se apresenta. A própria sociedade organizou-se a promover o conformismo geral: &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;nós decidimos por si.&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; Foi o que se viu. Os resultados estão à vista. Geriram mal o país, de forma negligente e danosa. E as pessoas deixaram-se conduzir e embalar, até porque iam recebendo ao longo da jornada &lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;aquelas promoções de marketing de massas, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;goze agora pague depois.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Agora, acabada a festa, fica a ressaca, uma enorme dor de cabeça e um olhar atónito e incrédulo, de quem não previu nada disto. Agora a conversa oficial é outra evidentemente, até porque as elites pertencem à prata da casa, de uma sociedade que nunca se organizou para a responsabilidade: &lt;em&gt;é tempo de sacrifícios.&lt;/em&gt; Sacrifícios, sacrifícios... esta palavra é martelada nas televisões, para que as pessoas se habituem a ela. Mas sacrifícios de quem? Até na escolha da palavra há um cinismo (ou uma imaturidade?) implícito: claro que os sacrifícios não são para todos os mortais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;A palavra&lt;em&gt; sacrif&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;em&gt;icios&lt;/em&gt; faz parte de uma narrativa muito bem montada, numa espécie de guião de filme de série inclassificável: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;(Vou fazer aqui um breve intervalo e já volto a tentar desenvolver a ideia que me surgiu esta manhã...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ainda alinhavei aqui uma linha de raciocínio, mas os resultados não me agradaram muito. Digamos que passar a vida a desmontar narrativas oficiais e estratégias de marketing político já não é muito motivador. Vamos então por outra linha: analisar, por exemplo, a escolha de uma das palavras-chave escolhidas por este governo,&lt;em&gt; sacrifícios&lt;/em&gt;, e outra, &lt;em&gt;medidas&lt;/em&gt;, e ainda outra, &lt;em&gt;buraco&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;desvio&lt;/em&gt; orçamental, e depois passar para a ideia que me interessa, &lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;da acção inteligente e consequente no caminho da autonomia. O que implica analisar o papel das lideranças que nos gerem e o que poderia ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;As palavras-chave escolhidas pelo marketing político do actual governo revelam uma narrativa que se baseia numa espécie de correcção de desvios (ou desvarios) do governo anterior: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;-&lt;em&gt; sacrifícios:&lt;/em&gt; palavra forte, com carga ética e religiosa, como um dever, uma obrigação, uma inevitabilidade. A sua escolha não foi inocente, mas ao ter banalizado a sua utilização, e ao não ter assegurado a sua universalidade (todos deveriam contribuir), &lt;a href=&quot;http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&amp;amp;id=87768&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;perdeu credibilidade. &lt;/a&gt;Além disso, só se mobilizam cidadãos para contribuir na expectativa de obter resultados, num determinado período de tempo, de modo a libertar a economia dos actuais constrangimentos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- &lt;em&gt;medidas:&lt;/em&gt; apresentadas a conta-gotas, de forma avulsa, sem coerência nem perspectivas práticas, nem uma avaliação séria das consequências. Com a agravante de não se aplicarem a todos de uma forma sensata e equilibrada. O facto da sua apresentação depender sempre da descoberta de mais um buraco ou desvio orçamental também levou à confusão geral e ao desânimo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- &lt;em&gt;buraco ou desvio orçamental:&lt;/em&gt;  já todos sabiam o que os esperava antes de acederem à gestão política, um país endividado e condicionado pelos &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;credores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como lidar com a situação crítica do país? Mobilizando os cidadãos. Este é o único caminho viável para um desafio desta dimensão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como mobilizar os cidadãos? Com a aplicação de cortes na despesa estatal e de algumas receitas selectivas (as tais &lt;em&gt;medidas&lt;/em&gt;) coerentes, consequentes, equilibradas, viáveis, baseadas numa comunicação exacta dos passos a dar e dos resultados que se podem esperar. Isto implica a universalidade das contribuições (os tais &lt;em&gt;sacrifícios&lt;/em&gt;), e de forma proporcionada e equilibrada. Repito: a informação sobre a aplicação de cortes na despesa e da justificação das receitas (impostos) deve ser exacta, correcta, simples, para todos perceberem a sua necessidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Neste momento, vemos duas camadas sociais a distanciar-se cada vez mais: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=6G_FIRBYBeY&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;os decisores e as vítimas das suas decisões. &lt;/a&gt;Qualquer semelhança entre esta organização social baseada na cultura corporativa e os princípios básicos de uma democracia saudável, é pura coincidência. E isto também se passa a nível da UE.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A acção inteligente e consequente no caminho da autonomia é a fórmula mais adequada para a nossa situação actual. Aliás, aplica-se a todas as dimensões da nossa vida: familiar, social, profissional, cidadania. Baseia-se num princípio muito simples: o respeito por si próprio e pelos outros. Esta é a essência, a meu ver, de uma democracia saudável. Viver e deixar viver. Perspectivar a economia de uma forma abrangente, em que todos colaboram, activos e inactivos. Perspectivar a participação social e cívica de todos na restruturação das áreas-chave para reforçar a autonomia do país. Perspectivar as redes de apoio social, a nível local, aos mais vulneráveis, crianças e reformados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Um desafio desta dimensão exige lideranças com uma cultura de séc. XXI e com alguma autonomia relativamente aos grupos de influência. Sem lideranças à altura deste desafio não vamos a lado nenhum. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Como nos podemos nós distanciar emocionalmente deste pedalar em seco a escorregar para trás em plano inclinado? Impossível. Mesmo que não liguemos a televisão em hora de notícias, há sempre alguém que nos conta as últimas, com olhar atónito e voz aflita, porque não vê fim à vista. São uns a tapar os buracos e o&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;utros a abri-los noutro sítio. Esta situação não se pode manter muito mais tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 24 May 2011 10:36:09 GMT</pubDate>
  <title>&quot;Este é o momento&quot;</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;mensagem-top&quot;&gt;
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&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino; color: #000000;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;Nota prévia de esclarecimento:&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76197.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;este momento e a cultura de base do CDS&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color: #0000ff;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://esteeomomento.cds.pt/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Este é o momento&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; é o mote certo para a fase colectiva que vivemos, entalados entre dois precipícios, como nos desenhos animados. Não podemos voltar atrás, seria o suicídio, e o caminho para a frente é tão estreitinho e traiçoeiro que não nos podemos enganar na colocação dos pés. Qualquer pedregulho solto pode fazer-nos resvalar encosta abaixo... E há tantos pedregulhos soltos... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Portugal está numa situação excepcional. Uma política irresponsável levou a dívida pública de 82 mil ME para 170 mil ME apenas em seis anos. Os contribuintes já pagaram mais pela dívida do Estado do que investem com os seus impostos, na Educação. A irresponsabilidade prosseguiu nas empresas públicas (cuja dívida duplicou) e nas Parcerias Público-Privadas cujo o custo já ascende a 60 mil ME e compromete o futuro. Este Governo socialista levou Portugal à segunda recessão em dois anos. A herança económica e financeira de José Sócrates é muito negativa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;Mais de 650 mil famílias são afectadas pelo desemprego, enquanto inúmeras PME têm dificuldade em contratar. Em cada 100 jovens, 25 não têm trabalho. Muitos emigraram. Os trabalhadores independentes e os jovens empreendedores são atacados fiscalmente. A pobreza aumentou, a classe média empobreceu. Até o abono de família foi cortado. As instituições sociais recebem todos os dias mais pedidos de ajuda, de quem não consegue pagar refeições, ou os tratamentos de saúde, ou está numa situação vulnerável. O legado social de José Sócrates é de uma enorme injustiça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;Depois de um ano em que o PS, com o apoio do PSD, foi de PEC em PEC até ao colapso final – aumentando impostos, congelando pensões, penalizando as famílias, pondo em risco os serviços de saúde - tornou-se inevitável que Portugal pedisse ajuda externa, para poder sobreviver. O CDS teve uma atitude de responsabilidade, colocando o interesse nacional acima de tudo. Sem essa ajuda Portugal passaria pela vergonha de declarar falência. As poupanças, os salários, as reformas, os depósitos e os empréstimos dos portugueses corriam risco de ruína. Nesta situação, outros decidiram não falar com quem nos podia emprestar dinheiro para sobreviver. O CDS foi responsável: falou e defendeu, por exemplo, as pensões mínimas, rurais e sociais que poderão ser aumentadas. Deixámos claro que, na revisão do programa de austeridade, lutaremos por melhores soluções. Por exemplo, quanto a um IRS que leve em conta o número de filhos; um IRC que ajude as empresas que exportam, contratam e reinvestem; a taxa social única; e repensar medidas no IMI e IMT que são incoerentes. Há alternativas. &lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;A natureza que de certo modo condicionou a nossa cultura e nos tornou vulneráveis à cultura corporativa vigente inclina-nos perigosamente para um dos lados do precipício: é o fascínio por tudo o que brilha, por tudo o que nos é apresentado como fabuloso, fantástico, a terra prometida, t&lt;em&gt;odas as possibilidades e mais algumas de realizar todos os seus sonhos,&lt;/em&gt; tipo o vendedor do elixir da juventude que vemos nos filmes. É incrível como adultos responsáveis, com família, filhos, netos, se deixam ainda levar pela publicidade enganosa em vez de colocar os pés bem assentes no chão: no trabalho digno e sério, o maior valor que alguém pode ter nesta vida terrena, desenvolver e aperfeiçoar as suas competências, ser valorizado por isso e por isso poder realizar alguns dos seus sonhos legítimos e acessíveis. É também esse o caminho da autonomia, outro valor essencial da dignidade humana, não depender da bondade de estranhos nem sentir-se um inútil, dependente de subsídios numa vida decadente. A energia vital baseia-se na acção e na iniciativa própria, em tomar a sua vida nas suas próprias mãos, em decidir o que é importante para si e para a sua família. Toda a natureza apela à autonomia pessoal, isso é estar vivo. Alguma coisa de muito errado levou os cidadãos a deixar-se condicionar por uma cultura que promove a dependência, o conformismo e a servidão, tudo o que nega a própria vida e a dignidade de cada um. Este é o momento de corrigir essa perigosa inclinação e caminhar de novo em terra firme, com os pés bem assentes no chão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Os Portugueses conhecem a coerência, o trabalho e a equipa do CDS. Temos os deputados mais trabalhadores do Parlamento. Avisámos a tempo para o descalabro. Não dependemos do Estado, como PS e PSD dependem. Lutamos pelo bem comum e não defendemos os caciques, como PS e PSD defendem. Queremos grupos económicos mas não aceitamos, como PS e PSD aceitam, a protecção de certas empresas por uma Autoridade de Concorrência incompetente. Nunca abandonámos, como PS e PSD abandonaram, a questão social: os idosos e a sua pobreza são a nossa prioridade, as famílias no desemprego a nossa preocupação. Somos o Partido em quem confiam os agricultores: queremos Portugal a produzir, exportar e substituir importações. Somos o Partido que defendeu políticas de bom senso: quem comete crimes tem de pagar por eles e as Forças de Segurança têm de ser eficientes e ter autoridade: contam connosco. Protegemos a autoridade do professor na escola e a exigência e o mérito como regra para preparar os estudantes para o mundo laboral. Temos soluções para o desemprego dos jovens, o arrendamento de casa pelos jovens, a liberdade de programar as suas poupanças para os jovens que entram no mercado do trabalho. Sabemos que é possível um sistema de saúde com menos desperdício e mais humanidade. &lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Esta é a minha escolha eleitoral, como já a delineei aqui há uns tempos. Voto CDS-PP. &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Nunca me inscrevi em partido algum, até hoje. Sempre procurei decidir de forma autónoma, em todas as minhas escolhas. Muitas vezes me enganei, mas a razão foi invariavelmente não ter acesso à informação que conta. Hoje só me baseio em factos concretos, em resultados concretos. &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A posição do &lt;em&gt;independente,&lt;/em&gt; como sempre me quis posicionar na vida e na política, pode parecer confortável e comodista, e de certo modo é: não ter de viver o conflito com o grupo, dizer o que se pensa de algumas decisões com que não concordamos, não ter de debater, argumentar, sofrer decepções várias que as há sempre. Embora também não se possa viver a alegria do dever cumprido e a alegria partilhada no grupo que é alegria redobrada. Nem saborear as vantagens de um estatuto para quem gosta da vida política. No meu caso, a motivação seria a possibilidade de contribuir com ideias para acções concretas. Sim, se vier a tomar essa inciativa inédita no meu percurso será essa a motivação. &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;É que este é o momento de não nos fecharmos no nosso cantinho sossegado e tranquilo e participar na vida colectiva, na reconstrução de uma casa em ruínas, na recuperação do jardim abandonado, na regeneração da vida comum, na restauração da nossa cultura própria, dos valores que nos estruturaram até hoje: o trabalho individual e comunitário, o respeito por si próprio e o respeito mútuo, a amabilidade e a universalidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Nesta situação excepcional, pedimos aos Portugueses que façam um voto excepcional. Não liguem aos emblemas nem às siglas. Avaliem o trabalho, o esforço, a coerência, a visão, as soluções, as equipas e os líderes. Comparem. Portugal não mudará se não castigarem quem merece castigo – o PS – ou se premiarem quem não merece um prémio – o PSD.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;Há muitos eleitores desiludidos com o PS e receosos com o PSD. Esses eleitores sabem que o CDS, nesta eleição excepcional, é a diferença, é a responsabilidade, é o melhor para o interesse nacional. Não vos peço que adiram a tudo o que o CDS pensa, nem o CDS vos imporá isso. Peço-vos que ajudem Portugal a pagar o que deve, sanear as finanças, colocar a economia a crescer, evitar a exclusão social e, finalmente, pôr ordem na justiça que chegou a um descalabro! Escolham o CDS. Nós cumpriremos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small; color: #000080;&quot;&gt;Este é o momento. Por ti. Por todos. Portugal. &lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015:&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: 10pt;&quot;&gt;Tantos posts para clarificar... Como é possível que eu tenha confiado no CDS durante tanto tempo?, que não tenha percebido a sua cultura de base que não é nem democrata nem cristã?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 19 Mar 2011 17:32:57 GMT</pubDate>
  <title>&quot;Liderança para Portugal&quot;</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Nota prévia de esclarecimento:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; entretanto, passados 2 anos, actualizei a minha perspectiva sobre &lt;a href=&quot;http://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/76197.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;o CDS e a sua cultura de base&lt;/a&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;O mote está dado, no Congresso do CDS em Viseu: &quot;Liderança para Portugal&quot;. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Paulo Portas afirma-se hoje como uma liderança baseada na coerência e na consistência. Conseguiu construir um &quot;novo CDS&quot;, uma equipa dinâmica, sólida e competente. Sem esquecer os valores que o estruturam: o valor do trabalho, do mérito, do bem comum, da protecção dos mais frágeis, da família, da coesão social. Promovendo uma organização social que valorize &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;a educação de qualidade, a mobilidade social, o equilíbrio fiscal, o crescimento económico, a concorrência leal dos mercados, a supervisão bancária, a justiça, a segurança. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O CDS hoje pode apresentar-se aos eleitores como o partido que mais produziu no Parlamento, assim como o que mais viu propostas suas aceites. É também o partido que mais defendeu a agricultura e as pescas (sectores estruturantes), os pensionistas, as famílias, as pequenas e médias empresas. Foi também o que mais batalhou pela supervisão bancária, pela concorrência leal dos mercados, pela área da saúde, educação, justiça e segurança. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Paulo Portas foi o primeiro político (e, pelos vistos, o único até hoje) a referir-se a uma &quot;geração pós-partidária&quot;, que procura informação fidedigna, que pensa pela sua própria cabeça, que quer ter a possibilidade de escolha, que quer respostas concretas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Hoje ouvimo-lo num discurso inspirado e mobilizador, que tem ressonância porque se baseia num trabalho concreto, num caminho concreto, numa equipa que demonstrou o que vale. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Hoje percebemos que há uma alternativa viável aos partidos do bloco central do sistema que se vão alternando no poder. Hoje percebemos que é necessário, urgente, sair desse carrocel e quanto antes. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Sim, uma &quot;liderança para Portugal&quot;. É exactamente isso que o país precisa. Uma liderança assente num compromisso e numa confiança mútua, numa nova postura política. Em que os cidadãos saibam o que os espera e o que se espera de cada um, cada um no seu lugar e no seu papel. Uma nova cultura de lealdade e responsabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 28 Feb 2011 09:52:03 GMT</pubDate>
  <title>A mudança não virá do sistema nem da rua... mas das consciências</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/59208.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Esta reflexão sobre a mudança inevitável vem na sequência da anterior: o sistema está a reorganizar-se. E baseia-se igualmente em deduções. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Como é óbvio, a mudança não virá do próprio sistema, até porque o sistema se está a preparar para neutralizar todo e qualquer movimento que possa perturbar o seu equilíbrio e estabilidade. Como? Há muitas formas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Se ontem ouviram o Professor Marcelo a comentar a possível manifestação de jovens descontentes a 12 de Março, podem já perceber uma das formas, perfeitamente enquadrada na lógica corporativa do sistema:&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; Quem são eles? São essencialmente jovens... licenciados... desempregados... ou em estágio... um é ex-JS outra ex-BE... Descontentes... querem fazer parte da solução... Como é? Querem formar um partido?, um movimento?, uma associação? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Esta é a lógica corporativa: identificar os descontentes, perceber o que querem, para os tentar absorver no sistema, se possível, e assim neutralizar. Senão vejamos: &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Lembram-se quando surgiu o PRD com 18%, era muita gente descontente, mas logo a seguir Cavaco Silva conseguiu absorver esses descontentes para o PSD...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;não sei se repararam mas o Professor Marcelo imitou o ruído de quem suga por uma palhinha... os votos dessa gente toda. Referiu-se a mais alguém que sugou os votos de mais gente descontente, mas já não me lembro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Sim, é até muito possível que o sistema consiga sugar, absorver e neutralizar o descontentamento dos jovens, até porque os próprios foram formatados na cultura corporativa. O discurso da mudança não pode ser corporativo: uma geração, direita, esquerda, uma profissão, uma camada social, etc. etc. O discurso da mudança é universal, abrange todos os cidadãos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Também tenho meditado muito nisto: estes movimentos de rua, já em desespero, onde podem levar? Estou convicta que as verdadeiras revoluções são interiores e discretas. &lt;/span&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Qualquer mudança consistente e consequente tem de se basear numa nova perspectiva e numa nova atitude de cada cidadão. Sim, a verdadeira mudança é interior, na consciência de cada um.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E no entanto... o primeiro sinal da mudança possível veio de um encontro feliz entre o Papa e o povo português. Poucos viram essa confirmação cristã de uma cultura milenar. Poucos valorizaram a profundidade do encontro. Mas nada ficou na mesma: o Papa reencontrou a sua energia vital, e a sua liderança na comunidade cristã ganhou um novo fôlego; nós reencontrámo-nos com a nossa raíz cultural cristã, de valores sólidos e duradouros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Muitos foram os anos de domínio e de fracturas e machadadas culturais, muitos foram os anos de descaracterização e desertificação territorial que ainda continua, muitos foram os anos de artificialismos e pedagogias do ódio, muitos foram os anos de desprezo por tudo o que é verdadeiro e genuíno na nossa cultura cristã, mas esse encontro veio confirmar que a chama original está viva.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Somos essencialmente cristãos nos valores e na atitude. Somos comunitários. Somos afectivos e generosos. E se nos tornámos desconfiados do poder, tivemos boas razões para isso: falam outra linguagem, outra cultura, que nos tentaram impor por mais de dois séculos, uma cultura materialista, fria, impessoal, baseada em leis e em contorcionismos artificiais para proteger os seus membros. Trata-se de uma organização que se colocou indevidamente e ilegitimamente no patamar do poder político, social, económico e cultural.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;A partir do momento em que nos reencontramos com a nossa verdadeira natureza, adquirimos uma nova energia vital, deixamos de nos sentir isolados e vulneráveis, sabemos quem realmente somos, essa é a nossa força. A da consciência. A dos valores. E essa é a mudança possível, a restauração da nossa cultura essencial, das nossas raízes cristãs, da nossa cultura comunitária da amabilidade e da universalidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: x-small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 26 Feb 2011 10:16:45 GMT</pubDate>
  <title>Deduções por falta de acesso à informação fidedigna: o sistema está a reorganizar-se</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/59121.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Gostaria de clarificar em primeiro lugar os Viajantes que por aqui passam que me tenho de basear em deduções, uma vez que não tenho acesso a qualquer informação fidedigna. E tem sido mais ou menos assim desde que iniciei esta viagem pela blogosfera. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;De referir - e isto é muito importante, pelo menos para mim -, que se não fosse a internet em geral e a blogosfera em particular, não teria sequer conseguido efectuar estas simples deduções. É certo que poderia tropeçar num ou outro livro, mas o processo teria sido mais lento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;É que a simples observação do que se passa a nível político, económico, social e cultural, não nos teria fornecido toda a matéria de análise. É necessária a troca de ideias, experiências diversas, percursos diferentes. E não é na informação oficial que vamos encontrar qualquer informação sobre a realidade, aí apenas encontramos a ficção muito bem preparada para o consumo de massas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Esclarecido este ponto, hoje voltamos ao centro da questão essencial: o sistema. A organização política, económica, social e cultural, que domina a situação, e há mais de 200 anos. Um dia destes irei ensaiar uma dedução histórico-cultural à procura da origem do actual sistema dominante. Mas hoje o que me interessa essencialmente é propor uma perspectiva, talvez ousada, mas ainda assim baseada em deduções lógicas e plausíveis: o sistema está a reorganizar-se.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Reorganizar-se: &quot;mudar para ficar tudo na mesma&quot;, já conhecem a expressão, não é? Reorganizar-se: juntar as hostes, de todos os quadrantes do sistema, unir esforços e criatividades, para criar novas fórmulas a apresentar ao cidadão comum, aquele que o sustenta, para o convencer a continuar a sustentá-lo. Reorganizar-se: manter-se no poder a todo o custo, manter os seus privilégios de elite privilegiada, elite que se auto-nomeou e assim manteve no patamar certo, que se catapultou há muito tempo e não quer perder as mordomias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;É certo que o sistema já controlou as áreas-chave do poder político, económico, social e cultural. Senão vejamos: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Justiça: já está;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Ministério Público: já está;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Serviços Secretos: já está;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Informação (jornais, televisões): acabou recentemente de neutralizar todos os canais, da RTP à TVI;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Educação: actualmente a formatação das novas gerações está garantida;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- Banco de Portugal, Autoridade da Concorrência, etc. etc. : está, está, está.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Então o que é que falta? Pois aí é que está. Baseando-se desde 74 numa suposta democracia, depende do voto dos eleitores nos partidos sentados numa Assembleia da República. Olha que chatice! Ainda não há uma forma de evitar esta participação do cidadão comum no equilíbrio e estabilidade da sua vidinha confortável. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Como é que o sistema vai dar a volta a isto? Fácil. Vai apresentar ao eleitor fórmulas aparentemente renovadas e fresquinhas (isto é, inocentes e puras), assim tipo um PSD próximo do cidadão e distanciado do PS, ou mesmo tornar-se um pouco mais audaz e lançar-se numa proposta de alteração da Constituição Portuguesa para introduzir a fórmula &quot;semi-presidencialismo&quot;, porque não?, ou ainda mesmo mais audaz, se os tempos o apontarem, mudar de regime e voltar a uma &quot;Monarquia Constitucional&quot;, a garantia de mais estabilidade (só espero que a Família Real tenha o discernimento de não alinhar no sistema. É que o falhanço da Monarquia Constitucional deveu-se afinal ao sistema. Mas isso fica para analisar de uma próxima vez).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Estamos ainda no plano das deduções, certo? Bem, vemos o sistema a reorganizar-se por se sentir ameaçado. Porquê? Porque já se tornou visível, e o pior que pode acontecer a um sistema ilegítimo é ficar visível. Hoje já é evidente para o cidadão comum que, enquanto sofre as dificuldades todas de uma &quot;so called&quot; crise internacional, há uma elite política, económica, social e cultural que vive confortavelmente à sua custa, de forma ilegítima. E que a &quot;so called&quot; democracia que lhe prometeram se revelou uma farsa. Sim, o cidadão comum sente-se enganado, ludibriado. É só ouvir as Antenas Abertas. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Se o cidadão comum tem razão para agora se vir lamentar? Em parte sim, em parte não. Sim, porque foi de facto enganado e ludibriado. Não, porque quis ser ludibriado e enganado. Quis acreditar na ficção, mesmo que matematicamente impossível. Única atenuante: a informação oficial alimentou a ficção nos jornais e nas televisões.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Veremos, pois, nos próximos tempos, o PSD a apresentar-se ao eleitor, limpinho de responsabilidades políticas nos PECs e nos OEs mais recentes. Com um líder relativamente jovem e apresentável, tipo Ken engravatado, discurso vazio, generalista e pouco elaborado, mas o que importa é a imagem e a voz bem projectada, afinal foi a solução de marketing do PS quando lançaram o actual PM. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Este PSD será a grande aposta do sistema por agora. As sondagens já o anunciam. O Presidente (do sistema) também está prestes a ser renomeado oficialmente. Está tudo preparado para que nada corra mal. Garantir o sistema no poder, a todo o custo.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E o que pode correr mal? O cidadão comum não se deixar embalar pelas propostas do sistema. O cidadão comum acordar para a sua realidade e não querer continuar a sustentar esta organização parasita e ilegítima. Já há sinais concretos de que esse despertar para a realidade já se iniciou. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Até ver, só o CDS percebeu esses sinais, mas o CDS não tem dificuldades de comunicação com o cidadão comum, desde sempre interpretou as suas necessidades e prioridades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E aqui está uma interessante análise possível: Como distinguir hoje quem fala pelo sistema e quem fala pelo cidadão comum, pelo país real?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Só uma sugestão de um teste que penso será fiável: Quem segue os valores cristãos na sua vida, de forma coerente e consistente, não pode servir e/ou aderir a um sistema ilegítimo e injusto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 12 Feb 2011 20:04:03 GMT</pubDate>
  <title>Há 7 anos que o país vive em crise política</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Na verdade, o país vive em crise política há 7 anos. De certo modo, podemos dizer que já não sabe o que é viver na normalidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Normalidade seria ter à frente da gestão política responsáveis adultos, digamos assim, com sentido de responsabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Portugal viciou-se em crise política, adaptou-se, conformou-se. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Só assim se explica insistir em apostar na mesma receita tóxica. E d&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;e tal modo se adaptou e conformou que nem estranha os tiques doentios dos actuais gestores políticos. Nem sequer tem energia para desenvolver uma saudável alergia. Não, desiste, baixa os braços, volta as costas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: x-small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 05 Jan 2011 11:20:19 GMT</pubDate>
  <title>O perfil presidencial é essencial, não a experiência</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/57953.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;E aqui continuo as minhas reflexões sobre as próximas eleições presidenciais. Nem sei explicar muito bem este meu interesse neste ritual cíclico da República. Preferia a continuidade do Rei, preparado para tal e com a legitimidade própria da continuidade simbólica (e aqui simbólica tem um valor mais rico, de valores estruturantes e de uma identidade cultural, as coisas essenciais da permanência). Mas não tendo ainda o Rei de volta, resta-nos um Presidente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Talvez as duas razões principais deste meu interesse (até acompanhei entrevistas e debates), sejam:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- a nossa precária situação actual a todos os níveis, o que nos torna muito vulneráveis (e um Presidente pode atenuar ou reforçar as dificuldades previstas);&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- o facto do sistema se ter começado a revelar (&lt;em&gt;ups!,&lt;/em&gt; o sistema tornou-se visível!) e o próprio cidadão comum ter começado a perceber &lt;em&gt;quem é quem&lt;/em&gt; no sistema em que ele, cidadão comum, não conta, a não ser para alimentar o seu estatuto e o seu nível de vida (votando e pagando impostos, isto é, enquanto eleitor e contribuinte).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Como é que um Presidente pode contribuir para atenuar as dificuldades? Pela sua influência, pela sua intervenção adequada, pelo que afirma, pela sua convicção interior, pela liderança de ideias e de uma atitude, pela empatia com os cidadãos que representa. A sua influência também pode ser exterior, é diferente ter alguém que &lt;em&gt;percebe os tempos&lt;/em&gt; de alguém que está dessincronizado noutra onda. Precisamos de um perfil presidencial para o país, numa situação aflitiva e vulnerável, e para o séc. XXI.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Em relação ao sistema, o pior que lhe poderia ter acontecido foi tornar-se visível. Enquanto se podia colar ao regime e aos seus valores, à democracia, aos interesses nacionais, tudo lhe corria de feição. De qualquer modo, o séc. XXI convive mal com sociedades secretas ou pactos de classe, de elites que se mantêm no poder muito tempo, sem outra legitimidade a não ser a sua arrogância cultural, e a subserviência dos restantes. Mas se não tivessem puxado demasiado a corda, ter-se-iam aguentado mais uns anitos. 15 anos de socialismo foram-lhe fatais. E não estou a contar com os 10 anos de cavaquismo, que também contribuíram. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Vivemos, de facto, tempos socio-politicamente interessantes. Agora, pondo por segundos de parte a nossa desgraça nacional (conjuntura e lideranças políticas no poder), reparem bem no que está a suceder: as pessoas comuns, digamos assim, estão a abrir os olhos. Foi preciso ver o país afundar-se em dívidas externas, as pessoas à porta das fábricas e empresas fechadas, a grande debandada migratória, conterrâneos a passar fome, para acordar. Enquanto a desgraça não lhes bateu à porta, deixaram-se embalar pela grande mentira e a grande ilusão. Mas agora começaram a ver o que até então não viam ou não queriam ver: há um sistema organizado, uma elite protegida, acima da lei universal, acima do escrutínio público, que vive à sua custa, enquanto eleitor e contribuinte. Directa ou indirectamente, porque há a informação privilegiada, portas que se abrem, créditos que se desbloqueiam, leis com excepções que se asseguram, etc. etc. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;em&gt;People know... people know...&lt;/em&gt; diz o nosso herói em &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://www.imdb.com/title/tt0105585/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Thunderheart,&lt;/a&gt;&lt;/em&gt; quase no final daquela saga de índios despojados das suas terras para reservas áridas e inférteis, mas onde se descobrira urânio. Estamos mais ou menos nessa parte da história, colocaram-nos a pão e água como os índios, estragaram-nos a escola, como os índios, já se passa fome, como os índios, e ainda nos vêm pedir batatinhas na sua sofreguidão voraz, querem sugar o que pouco que resta: os impostos, o IVA, o corte cego do abono de família, a conta da EDP, o preço dos combustíveis, o buraco do BPN, as público-privadas que aí vêm, as excepções na administração pública e nas empresas públicas, e ainda se fala no TGV, etc. etc.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O filme acaba com a revelação do sistema, os &lt;em&gt;suits,&lt;/em&gt; o FBI, os que pretensamente defendem o povo, mas que apenas defendem o sistema, a organização do poder. A partir daí, tornou-se muito mais difícil ao sistema manter a exploração de urânio e arranjar bodes expiatórios entre os índios. Muito gosta o sistema e o poder, organizado de forma corporativa, de segredinhos e de bodes expiatórios. Vive, aliás, nessa cultura, de pactos mútuos, de uma confiança baseada no interesse comum e na chantagem implícita. Isto dava mesmo um filme... mas prefiro este paralelismo com o Thunderheart. Até porque gosto muito deste nome que mistura trovão e coração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Só mais um ponto para reflexão: &lt;/strong&gt;Um dos argumentos republicanos preferidos é precisamente o de qualquer cidadão se poder candidatar e vir a ser eleito Presidente. Uma perspectiva muito poética e democrática, não acham? Pois não é nada assim que as coisas se passam.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Ontem, na Grande Entrevista de Judite de Sousa a Fernando Nobre, ficámos a saber das dificuldades colocadas à partida a qualquer candidato-cidadão português que tenha a pretensão de se candidatar à Presidência: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- enquanto os candidatos apoiados por partidos políticos podem receber donativos de empresas sem um limite fixado, os candidatos independentes só podem receber donativos de particulares até ao montante de 24 mil e tal euros; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;- enquanto os candidatos apoiados por partidos políticos estão isentos de IVA, os candidatos independentes pagam IVA. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Onde está a tal &lt;em&gt;equidade&lt;/em&gt; de que se gabam? A tal igualdade de condições na linha de partida da corrida? Não existe. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O jogo está viciado à partida para defender o sistema. O sistema não brinca em serviço. Protege-se. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O candidato com mais condições de ser eleito já foi escolhido pelo sistema. Portanto, este é mais um argumento republicano democrático que cai por terra. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;É preciso, de facto, uma grande dose de loucura e uma grande coragem para correr o risco de uma candidatura independente. Mas, como disse Fernando Nobre ontem, esta é uma oportunidade única de ver um cidadão na Presidência. E que talvez ainda passem muitos anos até um outro cidadão arriscar concorrer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Bem, com o seu perfil, dificilmente voltaremos a ver um candidato independente. Se ao menos não tivesse ficado colado a Mário Soares logo na primeira entrevista com Miguel Sousa Tavares... Surgiu de imediato a lógica anti-Alegre, que condicionou a sua candidatura. Ontem tentou mostrar-nos que a sua iniciativa é pessoal, que o seu percurso de liderança de equipas em circunstâncias muito adversas, e algumas mesmo de situações-limite, o prova. Este argumento baseado no percurso pareceu-me bastante fiável: a realidade fala sempre por si. E a situação actual do país é de emergência. Outra condição que me parece ter acabado por atenuar esse primeiro equívoco é ter tido o apoio de pessoas comuns, cidadãos comuns, voluntários. Talvez porque as sondagens o tenham subvalorizado, a sua candidatura perdeu interesse estratégico... Quem ganhou foi o próprio candidato que agora pode, de facto, afirmar de forma inequívoca, a sua independência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Voltando ao perfil presidencial, aqui vão algumas reflexões a que me fui dedicando num outro cantinho: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/108589.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;HELP!,&lt;/a&gt; &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/110807.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;E o mundo mudou mesmo em quinze dias!,&lt;/a&gt; &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/111488.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;A agendinha do Professor Marcelo,&lt;/a&gt; &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/114353.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;E sobre as presidenciais não digo mais,&lt;/a&gt; &lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/119100.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Porque é que a direita não tem candidato presidencial?&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;&lt;strong&gt;E um desejo de 2008, que se poderia realizar em 2011, se a vida real imitasse a ficção científica&lt;/strong&gt; (snif): &lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/52904.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Para um &quot;novo cidadão&quot; um &quot;novo político&quot;.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: xx-small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 04 Jan 2011 08:59:54 GMT</pubDate>
  <title>Como será governar com o actual Presidente mas, em vez de inerte, activo?</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/57626.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Não sei o que deva temer mais: se a inércia do Presidente nestes 5 anos, se a sua prometida &quot;magistratura activa&quot;. Agora? A quem se está a dirigir? À direita que não se revê na sua candidatura? Aos partidos do centro-direita?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Como será governar com o actual Presidente mas, em vez de inerte, activo? E activo como? Em que sentido? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Para já, se esteve impassível durante a derrocada do país, o que poderá fazer agora depois da destruição? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;E ao observar, impávido e sereno, as escolhas erradas de um governo, e pior, a mentira generalizada, não poderá ser legitimamente considerado cúmplice do desastre?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;O que foi fazer para aquele lugar, afinal? Foi apenas uma questão de estatuto, &lt;em&gt;sou o Presidente de todos os portugueses? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Não é o Presidente o último recurso, a derradeira garantia, da defesa da democracia e do regime? Então, e a nossa soberania não entra nessa fórmula? Os mais indefesos e vulneráveis do povo português, de que diz ser Presidente, não têm aí lugar? Como diz Medina Carreira, &lt;em&gt;sem economia não há democracia.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Só o vimos reagir quando lhe tocaram nos seus preciosos poderes. E agora, em campanha eleitoral. O que mostra, para já, a dimensão da sua verdadeira motivação original.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Seguidamente, como será a vida de um PM não socialista, com o actual Presidente, mas desta vez activo? Que já não tem nada a perder, porque já não há eleições pela frente? E ainda por cima, representando o sistema no que tem de pior, a cultura corporativa? Se isto não são boas perspectivas para o cidadão comum, o que paga a factura e alimenta as &quot;elites políticas&quot;, também não é nada promissor para os partidos de direita.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;E finalmente, como será governar com o actual Presidente no contexto de pobreza generalizada, dificuldades de todo o género, a afectar sobretudo as crianças e os idosos, os mais vulneráveis, e as famílias, sobretudo as numerosas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Se nunca revelou a mínima empatia com os mais desprotegidos de uma democracia de plástico, mas apenas se emocionou com os casos de sucesso? Nesse aspecto, revelou muitas semelhanças, no perfil, com o actual PM. Embevecidos com o sucesso, esquecendo os excluídos do sistema.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Se nunca percebeu que o seu lugar implica muito mais do que assinar documentos ou receber personalidades na salinha de visitas presidencial? Se nunca entendeu a abrangência do lugar que ocupa, a nível social e cultural? Se nunca viu as possibilidades que o seu lugar lhe abria, de influência a vários níveis da nossa vida colectiva?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: x-small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Se não esteve à altura dos desafios que vivemos de 2006 a 2010, o caminho governamental para a desgraça já expresso no OE 2008, também não está à altura dos desafios que iremos enfrentar de 2011 em diante. Até porque não revela perceber os desafios essenciais das lideranças do séc. XXI: informação, rapidez, flexibilidade, eficácia, empatia, colaboração, comunicação em rede.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <lj:music>Songs for a Blue Guitar (96)-Mark Koselek+Red House Painters</lj:music>
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  <pubDate>Fri, 31 Dec 2010 00:22:01 GMT</pubDate>
  <title>O momento zen da política nacional em 2010: debate Cavaco Silva - Manuel Alegre</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/57202.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Um ano nada animador este que está a findar... refiro-me às perspectivas económico-sociais de um país desmoralizado, refiro-me à política nacional, refiro-me aos actuais gestores da nossa vida colectiva e aos que se prevê virem a seguir, ou seja, a continuidade da mesma mediocridade. A não ser... que entretanto o cidadão comum comece a abrir os olhos e a querer mudar de rumo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Mas até lá, é a campanha presidencial, para já. Digo-vos, tenho evitado assistir aos debates por completa ausência de motivação, mas resolvi assistir a este Cavaco Silva - Manuel Alegre. E valeu bem a pena. Temos tido tão poucas razões para rir um pouco, aquele riso solto que faz tão bem à alma. Talvez o meu sentido humorístico esteja um pouco retorcido, mas o que vi naquele debate foi um momento zen da política nacional.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Ainda agora, passado um dia e umas horas, se recordar uma ou outra cena, uma ou outra &lt;/span&gt;&lt;em style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;line, &lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;é certo e sabido que não consigo conter uma boa risada. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Ele fica crispado... ele não aceita as críticas... ele confunde debate político com crítica pessoal... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;e isto dito em tom teatral, é o suficiente para ir às lágrimas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Fui insultado mais de 50 vezes... Podem ler tudo no site da Presidência... &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;e isto dito num tom paternalista e professoral, inspira-nos o riso, pelo contraste cómico de um rosto presidencial, amargurado e injustiçado, com um rosto vivaço, de um Alegre filmado em contraponto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Por momentos pensei estar a ver um dos episódios do Bucha e Estica, mas também podia ser D. Quixote e Sancho Pança. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Seja como for, foi o nosso momento zen, não temos melhor neste ano 2010. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <lj:mood>a apreciar o filme...</lj:mood>
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  <pubDate>Tue, 30 Nov 2010 12:08:02 GMT</pubDate>
  <title>Coisas essenciais: lembrar Sá Carneiro e Amaro da Costa</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/56823.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;No próximo sábado, dia 4, irá celebrar-se uma missa em memória dos 30 anos da morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa, na Basílica da Estrela, às 17,00.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Esta é uma oportunidade única de prestar homenagem a duas referências nacionais: de visão política, de ética, de valores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Lembrar que houve um tempo em que havia políticos assim, que colocavam os interesses nacionais à frente de vantagens pessoais, que geriam a sua estratégia política pelo que seria mais benéfico para o país e não em função de um calculismo limitado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Para que as gerações futuras os conheçam também, e se orgulhem de exemplos assim, para que perdurem na nossa memória colectiva como marcos vivos de um tempo histórico, mas também como fontes de inspiração para novos caminhos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 27 Nov 2010 10:16:15 GMT</pubDate>
  <title>As vozes estruturantes: sociedade civil, Igreja e CDS. Só falta mesmo um Presidente</title>
  <author>Ana Gabriela A. S. Fernandes</author>
  <link>https://as_coisas_essenciais.blogs.sapo.pt/56540.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;As vozes estruturantes são aquelas que promovem a coesão social, o sentimento de pertença a uma comunidade onde ninguém é excluído, e que estão atentas às necessidades dos mais desfavorecidos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;São as vozes estruturantes que têm garantido a paz social, evitando rupturas e fracturas. E que têm atenuado o maior desespero de todos: a fome. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Aqui não me refiro, evidentemente, às vozes teatrais, visitas programadas, palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente. Refiro-me a atitudes concretas, gestos, trabalho sistemático e diário, esforço, tempo, dedicação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Portanto, só podemos aqui considerar como verdadeiramente estruturantes, as seguintes vozes:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;- a sociedade civil: é aqui que a dinâmica da solidariedade se tem expandido mais, em inúmeras iniciativas (associações e organizações, grupos de voluntários, etc.), no apoio aos mais vulneráveis (sem-abrigo, pobres, novos-pobres, crianças, idosos, portadores de deficiência, etc.) nas mais variadas áreas (abrigo, refeições, agasalhos, saúde, companhia, etc.); não esquecer também iniciativas concretas de alguns municípios, tendo sido a mais recente e mediática a de Rui Rio, que irá manter as cantinas de algumas escolas abertas nas férias do Natal, com a possibilidade de vir a repetir a iniciativa nas seguintes (se isto não foi uma estalada sonora, daquelas dos filmes do John Wayne, no governo e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI, o que foi?);&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;- a Igreja: também tem tido um papel fundamental, em estreita colaboração com a sociedade civil. Além de alertar para a consciência cristã, tem garantido, através das Misericórdias, muito do apoio atrás referido. Intervenção activa indispensável para evitar as tais fracturas, rupturas e desespero das populações mais carenciadas. A resposta do governo socialista tem sido a dos tais cortes orçamentais, e não apenas nas Misericórdias mas nos estabelecimentos de ensino (a falta de visão deste governo socialista chega a ser histórica). Recentemente, vendo-se na iminência de ter de fechar algumas valências por falta de recursos, a Igreja tem apelado à solidariedade cristã e, concretamente, à partilha da própria mensalidade dos padres (outra estalada sonora à John Wayne no governo socialista e nos representantes ao mais alto nível do país que andam a adiar a intervenção do FMI);&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;- o CDS: o único partido com assento parlamentar que tem apresentado sistematicamente medidas alternativas eficazes, que permitam crescimento económico e emprego (política fiscal, incentivos às pequenas e médias empresas), que defendam as áreas-chave da economia do país (agricultura, pescas, etc.), que protejam os mais desfavorecidos (actualização das pensões de reforma mais baixas, manter o abono de família, etc.), que permitam um equilíbrio social e a coesão social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Porque não considerei o PSD? Será preciso apresentar aqui as razões? Estão todas à vista e ainda bem, sim, ainda bem, que o povinho teve a possibilidade de ver com os seus próprios olhinhos a verdadeira e inequívoca natureza do PSD que, por &quot;patriotismo&quot; aceitou os PECs e este OE 2011 miserabilistas e imorais, nem se preocupando com a redução drástica da despesa estatal. Finalmente, ficou visível a sua cultura corporativa. Bom proveito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;O BE? Que recentemente votou pelo TGV, o tal investimento público para reanimar a economia? E que promove greves gerais que só reforçam a cultura corporativa? Já repararam que o BE podia ser resumido nesta frase: &quot;muita conversa, poucos resultados?&quot;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;O PCP: idem aspas aspas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;São, pois, estas as vozes estruturantes: a sociedade civil, a Igreja e o CDS.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Podem perguntar-me: e o Presidente? Não tem sido uma voz que promove a unidade, a estabilidade e a coesão social? Palavras circunstanciais, tudo muito calculado mas inconsequente, não iniciativas concretas e gestos inequívocos, reveladores de uma consciência social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino; font-size: small;&quot;&gt;Aceite a desilusão de ter perdido um país para sempre - o &quot;país antigo&quot; dos valores comunitários e da cultura da amabilidade -, ainda assim posso sonhar com um país &quot;regenerado&quot; ou &quot;restaurado&quot;. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Não adiro, pois, ao conformismo generalizado de que não há uma possibilidade, uma única, de ver um Presidente que seja uma voz estruturante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://vozes_dissonantes.blogs.sapo.pt/119100.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Aqui defini o perfil ideal de Presidente da República &lt;/a&gt;e procurei perceber &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/05/29/de-que-presidente-precisamos/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;porque é que a direita ficou sem Presidente.&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Reparem bem neste perfil, procurem melhorá-lo, pode faltar lá alguma qualidade que terei esquecido. Uma liderança que garanta estabilidade, mas que saiba antecipar e não apenas reagir, que &lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;tenha&lt;/span&gt; uma visão de país preparado para os desafios do séc. XXI.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Quem se aproxima mais deste perfil?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Reparem também num simples pormenor: a experiência presidencial do candidato não é a condição mais importante. Tendo o perfil adequado, aprenderá depressa. Além disso, tem os Conselheiros e todo um &lt;em&gt;staff &lt;/em&gt;protocolar. Mais importante é o perfil adequado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Aqui também analisei as diversas candidaturas: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;~ o &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/11/10/os-fenomenos-eleitorais/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;fenómeno irrepetível Alegre-2006&lt;/a&gt;, que foi um equívoco;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- a &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/04/26/fernando-nobre-uma-candidatura-tactica-e-retorcida/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;candidatura de Fernando Nobre&lt;/a&gt;, que nasceu também de um equívoco (um desafio de um ex-Presidente que não quis ver Alegre brilhar, como se isso se fosse repetir), mas que pode vir a tornar-se no novo fenómeno, nesta fase em que a pobreza se tornou visível e urgente;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;- e uma recandidatura já &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/10/19/o-anunciador-de-sua-excelencia/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;anunciada&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/08/31/a-logica-numerica-do-professor-marcelo/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;festejada&lt;/a&gt; e glorificada (com a aprovação do miserabilista OE 2011 e o adiamento da intervenção do FMI), antes mesmo das eleições presidenciais em finais de Janeiro. É esta a dimensão da &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/11/22/como-e-que-se-concilia-o-inconciliavel/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;soberba&lt;/a&gt; e do paternalismo da &lt;a href=&quot;http://farmaciacentral.wordpress.com/2010/11/17/os-7-pecados-mortais-2º-episodio-a-cultura-corporativa/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;cultura corporativa&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Clarificação deste post a 2 de Outubro de 2015: &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;Quando releio este tipo de posts por mim escritos há anos, fico completamente arrepiada. Será possível que eu tenha pensado assim? Vozes estruturantes?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;A Igreja já não é a do D. Eurico Dias Nogueira nem a do D. Manuel Martins dos anos 90. Graças a Deus há o Papa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;O CDS nunca foi democrata nem cristão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 14pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt;E não votei no Presidente que a direita escolheu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt; font-family: georgia, palatino;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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